DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulho após cirurgia no pulmão

Os médicos da DAN® respondem suas dúvidas sobre medicina do mergulho. Eu acabei de ser submetido a uma cirurgia de pulmão. Quando é seguro voltar a mergulhar?

A cirurgia de pulmão é feita para que se possa analisar melhor os tecidos pulmonares do paciente, frequentemente para fazer diagnósticos, biópsias, reparar e/ou retirar a condição principal. Existe um grande número de problemas pulmonares que podem exigir procedimento cirúrgico. Câncer de pulmão, por exemplo, pode exigir a retirada do tecido doente pela parede torácica. A abordagem cirúrgica ou a técnica utilizada vai depender de vários fatores, mas pode ser ou um procedimento aberto ou vídeo toracoscopia (VATS na sigla em inglês). Em um procedimento aberto, o pulmão é acessado através de uma incisão conhecida como toracotomia, que permite acesso visual direto ao pulmão. Na VATS, o pulmão é observado usando-se uma câmera e uma série de pequenas incisões, como em procedimentos laparoscópicos (cirurgia abdominal minimamente invasiva). Tanto a VATS quanto a toracotomia permitem ao cirurgião inspecionar visualmente, remover e/ou reparar tecido. A cirurgia de pulmão também pode ser necessária no caso de enfisema severo, trauma, infecção severa dos pulmões (tuberculose, bronquiectasia, etc), infecção das membranas do pulmão (empiema), fibrose cística, hemorragia e muitas outras razões.

Após a cirurgia, os mergulhadores devem ter certeza de que o pulmão cicatrizou completamente; uma fístula bronco-pleural persistente (comunicação entre o pulmão e o espaço circundante) pode oferecer risco de vida durante o mergulho, principalmente durante a subida. A cirurgia pulmonar apresenta uma variedade de complicações potenciais. A principal preocupação para os mergulhadores é o risco de hiperexpansão pulmonar ou barotrauma pulmonar. Um problema pós-cirúrgico que pode aumentar este risco é o desenvolvimento de adesões ou de tecido cicatricial entre a superfície do pulmão e a parede torácica. Isso cria áreas do pulmão mais susceptíveis a lesões ou rompimentos durante as mudanças de pressão e volume que ocorrem no mergulho.

Depois de uma cirurgia, a função pulmonar de uma pessoa (capacidade de mover ar para dentro e para fora dos pulmões) muda, e isso deve ser avaliado antes do mergulho. A capacidade do mergulhador de se exercitar também deve ser avaliada para verificar se o desempenho físico pode ser mantido durante os mergulhos. Outros problemas potenciais que devem ser considerados são o risco da recorrência da doença, qualquer efeito de radiação ou quimioterapia, o tipo de mergulho a ser feito (recreativo, técnico ou profissional, por exemplo) e se o mergulhador consegue sobreviver apenas com o pulmão operado caso um acidente de mergulho cause uma lesão grave no pulmão normal. Todas estas preocupações devem ser discutidas com um pneumologista e, idealmente, um médico com treinamento em medicina do mergulho.

— Jose Evangelista, M.D.

Na semana passada eu fiz alguns mergulhos de praia no Caribe. Um dos mergulhadores no meu grupo estava muito diligente em sempre entrar na água usando uma técnica que ele chamou de "arrasto da raia". Esta técnica realmente diminui as chances de um acidente envolvendo uma raia?
Andar arrastando seus pés quando entra ou sai da água pode realmente diminuir suas chances de ser ferroado por uma raia. Acidentes com raias frequentemente ocorrem quando o animal é acidentalmente pisado ou assustado. Seu corpo achatado permite que eles se ocultem embaixo da areia, tornando-os difíceis de ser ver. Mesmo o movimento de pisar próximo à raia pode ser percebido por ela como uma ameaça potencial e desencadear uma ação de defesa. As raias não são animais agressivos, mas suas caudas com ferrão são um mecanismo de defesa eficiente e capaz de causar lesões no pé ou na parte inferior da perna. Andar arrastando os pés diminui as chances de se pisar ou assustar uma raia, e aumenta as chances de que ela nade para longe para evitar o contato.

— Niles Clarke, EMT, DMT; Nick Bird, M.D., MMM

Um amigo e eu estávamos discutindo sobre como o consumo de ar aumenta com a profundidade, e ele disse que "o consumo dobra a cada 10 metros". Este dado não me pareceu correto. Vocês podem explicar?
Essa é uma idéia errada sobre as relações entre pressão e volume e a Lei de Boyle. A pressão dobra apenas entre o nível do mar (uma atmosfera) e 10 metros de água salgada (duas atmosferas). A variação de 10 para 20 metros (de duas para três atmosferas) representa um aumento de apenas 50%; a variação de 20 para 30 metros (de três para quatro atmosferas) representa um aumento de 33%, e a variação 30 para 40 metros (de quatro para cinco atmosferas) representa um aumento de 25%. Na verdade, a compressão de gás a 40 metros seria responsável por um aumento de aproximadamente 5 vezes no consumo de ar em um sistema de circuito aberto — ainda sim extremamente importante para o planejamento de um mergulho, mas não tão importante quanto o aumento de 16 vezes descrito pelo seu amigo. É importante lembrar que o efeito da Lei de Boyle representa uma progressão aritmética, não geométrica.

— Neal W. Pollock, Ph.D.

Há seis semanas eu fui submetido a uma cirurgia por causa de um descolamento de retina. Ainda poderei mergulhar?
A retina é composta por várias camadas de células sensíveis a luz extremamente organizadas que preenchem a superfície interna do fundo do olho. Sua capacidade de receber luz e transmitir sinais visuais para o cérebro é essencial para a visão. O descolamento de retina compromete esta função crítica e pode resultar em comprometimento da visão ou cegueira. Descolamentos são tipicamente não dolorosos, e podem estar associados a sinais de aviso como flashes de luzes ou manchas visuais.
O descolamento de retina é a separação entre as camadas da retina e a das células e estruturas abaixo. O tipo mais comum de descolamento de retina ocorre quando o humor vítreo no meio dos olhos exerce tração na retina e cria uma ruptura que permite ao fluído se acumular entre a retina e o pigmento epitelial.

Vários procedimentos podem ser feitos para reparar um descolamento de retina. Um deles, o pneumo- retinopexia, envolve a injeção de ar no olho. Pessoas em cujos olhos foram injetadas bolhas de ar devem confirmar com seu oftalmologista que a bolhas tenham realmente saído antes de mergulhar, voar ou viajar para regiões de montanhas altas. Uma bolha de ar intraocular pode causar muita dor no olho e perda de visão permanente se a pessoa for exposta a variações significativas de pressão ambiente.
Alguns outros procedimentos cirúrgicos envolvem a remoção de fluido vítreo e a troca dele por óleo de silicone, que permanece no olho até que seja retirado mais tarde. O mergulho não é uma atividade recomendada após este tipo de procedimento porque ele é normalmente feito em casos muito complicados de descolamento de retina, e uma segunda cirurgia pode ser necessária. Nesses tipos de caso é importante que você tenha uma boa comunicação com seu oftalmologista.

Independentemente do tipo de procedimento, é necessário respeitar um tempo adequado de recuperação antes de voltar a mergulhar. Oftalmologistas recomendam esperar dois meses antes de mergulhar após uma cirurgia de descolamento de retina, mesmo que todo o gás já tenha sido eliminado antes disso. Uma vez que uma bolha de ar tenha desaparecido e que a recuperação tenha sido completa, não existem razões para que o mergulho represente um risco para a retina ou para a acuidade visual.

— Lana Sorrell, EMT, DMT; Nick Bird, M.D., MMM (with special thanks to Frank Butler, M.D.)

Eu sei que praticar exercícios extenuantes depois de mergulhar geralmente não é recomendado. O que significa, exatamente, "exercícios extenuantes"?

Definir "exercícios extenuantes" não é uma tarefa fácil. Determinar um grau de intensidade fixo (ou absoluto) não é possível, pois o impacto de qualquer esforço absoluto irá variar entre indivíduos, principalmente em função do tamanho e composição corporal, preparo físico e economia de esforço (isso é, alguns indivíduos conseguem realizar a mesma tarefa com muito menos esforço do que outros). Definir um grau de intensidade relativo que indexe o esforço ao preparo físico do indivíduo também é imperfeito, porque a possível grande diferença do esforço absoluto entre os indivíduos com um preparo físico muito ruim e os com um preparo muito bom pode interferir.

O desafio da definição significa que temos que nos contentar com as generalidades. Exercícios que empregam forças intensas conjuntas como corrida ou levantamento de equipamento pesado devem ser evitados logo após os mergulhos. Caso exercícios obrigatórios, como subir escadas completamente equipado, não possam ser evitados, pode-se diminuir o risco reduzindo-se o estresse do mergulho. Isso pode ser feito reduzindo-se a profundidade do mergulho, minimizando o esforço durante as fases de descida e de fundo, exercitando-se apenas levemente (duas ou três vezes o esforço de repouso) durante a subida e as paradas de segurança e/ou prolongando os tempos das paradas. O impacto do exercício pós-mergulho pode ser reduzido ao se fazer um intervalo antes de subir as escadas, subir lentamente ou fazer várias viagens (devagar e com calma) para levar o equipamento para cima.

A segurança também pode ser aumentada através da manutenção de um bom preparo físico. Uma composição corporal ideal pode reduzir a quantidade de lastro necessário para atingir a flutuabilidade neutra, e, no caso de uma subida de escadas obrigatória após o mergulho, pode fazer com que o esforço necessário para subir seja apenas uma fração da capacidade de trabalho do corpo, reduzindo o esforço relativo.

Finalmente, a melhor maneira de reduzir o estresse descompressivo em qualquer mergulho é administrar todos os fatores contribuintes de forma que o balanço final tenda fortemente para o lado da segurança. Esta resposta pode não ser inicialmente tão atrativa quanto uma resposta simples, mas o desafio de aprender e administrar os fatores de riscos potenciais pode fazer com que o mergulho seja uma atividade mentalmente e fisicamente estimulante.

— Neal W. Pollock, Ph.D.


© Alert Diver — 1º Trimestre 2013


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