DAN Medical Frequently Asked Questions

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Tempo e Recuperação

A mergulhadora tinha 45 anos, uma mulher saudável e de condicionamento físico razoavelmente bom. Ela tinha obtido seu certificado de mergulhadora há 5 anos, tendo feito 15 mergulhos no ano anterior. De férias no Caribe, ela não teve qualquer problema no seu primeiro dia de mergulho, a não ser alguma dificuldade no manuseio do colete de flutuabilidade alugado. No dia seguinte ela mergulhou a 27 metros por 30 minutos e 10 metros por 30 minutos, usando ar comprimido e com um intervalo de superfície de 90 minutos entre os mergulhos. Durante seu segundo mergulho, ela tentou desinflar seu colete e, por engano, apertou o botão para inflar, causando uma subida descontrolada. Mais tarde, ela disse que se sentia fraca e incapaz de mover as pernas durante a subida. Ao chegar à superfície, ela perdeu a consciência.

A tripulação imediatamente a levou para o barco e lhe administrou oxigênio usando uma máscara com válvula de demanda. Os mergulhadores foram chamados para fora da água e rapidamente se dirigiram para a doca. Uma ambulância de serviço foi contatada pelo rádio e estava de prontidão quando o barco chegou. Na chegada ao hospital, o médico diagnosticou Embolia Arterial Gasosa (AGE), e a mergulhadora foi transportada para uma câmara hiperbárica. O tempo passado entre o início dos sintomas e a entrada na câmara hiperbárica foi de uma hora, neste tempo, a administração de oxigênio 100 por cento foi interrompida apenas duas vezes e por menos de cinco minutos cada vez.

A mergulhadora foi tratada segundo a Tabela de Tratamento 6 (TT6) da marinha dos Estados Unidos. Nos primeiros 20 minutos na câmara, a uma pressão de 1,8 atms, ela recobrou a consciência. O tratamento se estendeu por três sessões de oxigênio (cerca de 5 horas), mas os sintomas mostraram apenas uma pequena melhora. Mesmo com o tratamento, ela não conseguia urinar e precisou de um cateter. Na manhã seguinte ela novamente passou por um tratamento com a TT6 estendida. Não houve recuperação da capacidade motora nas pernas, apenas da sensação tátil. Ela ainda tinha que usar o cateter para urinar. Em consulta com a DAN®, foi tomada a decisão de enviá-la em uma ambulância aérea pressurizada ao nível do mar até os EUA, para que lá continuasse o tratamento. Ao chegar aos Estados Unidos, ela recebeu um tratamento agressivo com múltiplas sessões hiperbáricas que totalizaram 57 horas de tratamento. Finalmente ela recebeu alta, ainda com alguma fraqueza e adormecimento nas pernas. Depois de três meses, ela já conseguia urinar por conta própria, mas reportou uma persistente disfunção sexual. Depois de acompanhar o progresso da mergulhadora por um ano, foi determinado que a fraqueza, o adormecimento e a disfunção sexual provavelmente seriam permanentes.
O mergulhador tinha 50 anos e há 20 anos mergulhava ativamente. Ele viajava em uma região remota, hospedado em um barco liveaboard. No quarto dia de viagem, ele fez dois mergulhos, sendo o primeiro a 40 metros por 37 minutos e o segundo a 27 metros por 47 minutos. Ele usou ar comprimido em ambos os mergulhos e teve um intervalo de superfície de duas horas entre eles. No decorrer do segundo mergulho, as condições do mar se alteraram. Formaram-se grandes ondas, fazendo com que os mergulhadores oscilassem muito para cima e para baixo durante a parada de segurança aos 5 metros de profundidade. Cinco minutos depois de subir a bordo do barco, o mergulhador começou a se queixar de uma forte dor no ombro direito, o que rapidamente evoluiu para um adormecimento e fraqueza. Ele ficou incapaz de se manter em pé ou andar normalmente. A tripulação ajudou-o a encontrar um assento e começou a avaliá-lo. Ele apresentava problemas de ordem motora e tátil em ambas as pernas, e seu braço direito estavam fracos e um pouco adormecido. A tripulação administrou oxigênio através de uma máscara com válvula de demanda. O barco tinha um suprimento de oxigênio suficiente para 2 horas, mas a viagem até um local de tratamento médico levaria oito horas.
A ilha com a clínica médica não dispunha de câmara hiperbárica, assim a determinação era de pronta remoção do mergulhador para os Estados Unidos. Infelizmente, a pista de decolagem da ilha não era iluminada, o que impossibilitava decolagens após o por do sol. O barco só chegaria a terra por volta das 10 horas da noite, sendo assim, a DAN TravelAssist® marcou para que uma ambulância aérea chegasse à ilha ao nascer do sol, ou cerca de 7:15 da manhã seguinte. A aeronave seria pressurizada ao nível do mar a fim de transportar o mergulhador.

No caminho para a ilha, a força e sensibilidade foram recuperadas no braço direito do mergulhador. Ele continuava sem poder mover suas pernas, mas começava a sentir dor na perna esquerda. Ele logo notou que não era capaz de urinar. Como se esperava, o suprimento de oxigênio durou por duas horas, e a viagem prosseguiu por mais de seis horas sem oxigênio. O barco atracou ás 10:45 horas da noite, e o mergulhador foi transferido para a clínica em um veículo pessoal de alguém que trabalhava na clínica.

Ao ser examinado, o mergulhador não movia nenhuma perna, só sentia dor na perna esquerda e nenhuma sensação na perna direita. Foi necessário um cateterismo vesical para que ele urinasse. O médico diagnosticou doença descompressiva neurológica aguda. Ele recebeu oxigênio durante toda a noite e fluidos por via intravenosa. Devido à limitação do suprimento de oxigênio da clínica, eles foram capazes de administrar apenas 6 litros por minuto, e não os 10 a 15 litros por minuto como recomendados. A ambulância aérea chegou às 7:30 da manhã e aterrissou nos Estados Unidos com o mergulhador três horas depois. Ao chegar, ele foi transportado por ambulância até a câmara hiperbárica mais próxima, a qual já estava á espera dele desde que fora notificada pela DAN no dia anterior. Ele entrou na câmara ás 11 horas da manhã. O tempo passado desde o aparecimento dos sintomas até a entrada na câmara foi de aproximadamente 20 horas.

O paciente foi tratado seguindo a Tabela de Tratamento 6 (TT6) estendida e melhorou sensivelmente. Ele recebeu mais quatro tratamentos adicionais pela TT6 durante os dois dias seguintes e continuou a melhorar. Nos dias que se seguiram, ele passou por mais cinco tratamentos mais curtos (Tabela de Tratamento 9s da marinha dos Estados Unidos). Recebeu alta ainda com alguma alteração de sensibilidade nas pernas, além de persistente disfunção sexual e incapacidade de urinar. Em um mês, o mergulhador voltou a urinar sem ajuda e, depois de mais 3 meses, todos os sintomas desapareceram por completo.
O Mal Descompressivo (MD), que engloba tanto a Embolia Arterial Gasosa (EAG) como a Doença Descompressiva (DD), nem sempre é previsível no que diz respeito a quem e quando pode ocorrer. E pode ser igualmente difícil de prever quanto à recuperação. O Mal Descompressivo (MD) deve ser tratados o mais cedo possível, porém, como os casos acima ilustram, o tratamento iniciado rapidamente nem sempre é garantia de um resultado favorável. Por outro lado, uma demora significativa não determina que o resultado seja ruim. As variáveis influenciando no resultado final são tantas que não nos permitem fazer prognósticos corretos. Não podemos deixar de ressaltar a importância da rápida administração de oxigênio e da procura por tratamento definitivo. Contate a DAN o quanto antes para obter a assistência e a orientação que colocamos à disposição. Os estudos são constantes, mas a habilidade em fazer prognósticos corretos para os males descompressivos é ilusória.


© Alert Diver — Winter 2012


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