DAN Medical Frequently Asked Questions

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Médicos da DAN Respondem a Suas Perguntas Sobre Medicina do Mergulho

R: De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA cerca de 700.000 pessoas passam anualmente por cirurgias para remoção de cálculos biliares. A vesícula biliar é um órgão oco associado anatômica e metabolicamente ao fígado. A função principal é coletar e concentrar a bile, que será então introduzida à porção superior do intestino a fim de auxiliar na digestão. Os cálculos biliares são normalmente formados por colesterol ou sais biliares e variam em tamanho, indo desde pequenos cristais até pedras com mais de 5 centímetros de diâmetro.

Para mergulhadores, a principal preocupação com esses cálculos se refere à possibilidade de ocorrer uma crise aguda (cólica biliar ou colecistite) durante um mergulho ou em uma área remota.

Quando os sintomas aparecem, eles costumam envolver dor intensa no quadrante superior direito do abdome e podem ser acompanhados de náusea e vômitos.

Não é recomendável mergulhar com uma crise aguda ou quando uma crise aguda puder se manifestar. Pessoas já diagnosticadas com cálculos ou que apresentem dor ou cólica intermitente na região direita abaixo da caixa torácica devem considerar seriamente uma avaliação médica antes de pensar em mergulhar ou viajar para locais remotos. A remoção cirúrgica da vesícula biliar (colecistectomia) e dos cálculos é feita de forma rotineira através de laparoscopia (que envolve pequenas incisões e uma câmera) e sem a necessidade de internação prolongada do paciente. O paciente geralmente está pronto para voltar a mergulhar após a cicatrização adequada e liberação do médico.
R: A DAN® freqüentemente recebe emails e telefonemas com perguntas que começam com "eu li na Internet que…". Infelizmente as informações na Internet muitas vezes não dispõem de uma fonte fidedigna. Vivemos em uma era formidável onde as respostas são abundantes e informações são prontamente disponíveis. Nas comunidades científicas e médicas, a documentação das fontes, a validação e a revisão por seus pares são critérios necessários para uma publicação. A DAN usa informações provenientes da literatura médica e científica, tal como artigos e textos de publicações científicas para se basear em suas respostas. Nossas fontes também podem incluir seminários, workshops e relatórios de casos por pesquisadores do mundo todo. Assim, as respostas da DAN se originam na literatura científica publicada, ou são representadas pela opinião especializada de nossa rede de médicos e pesquisadores.

Praticantes do mergulho recreativo entram em contato com a DAN através de diversas feiras de mergulho locais ou nacionais, ou mesmo pela revista Alert Diver, AlertDiver.com, lojas de mergulho, seminários online e eventos locais de mergulho. O que os praticantes do mergulho recreativo não vêem, ou podem não saber, é que a DAN participa de conferências médicas, workshops e outros eventos acadêmicos e profissionais. A DAN está presente nos encontros da Sociedade Médica Submarina e Hiperbárica (UHMS, em inglês), Faculdade Americana de Médicos de Emergências (ACEP), Sociedade Médica do Ambiente Selvagem (WMS), Associação Internacional de Especialistas em Socorro de Mergulho (IADRS), Sociedade Européia Baromédica e Subaquática (EUBS), Sociedade de Medicina Subaquática do Pacífico Sul (SPUMS), Academia Americana de Ciências Subaquáticas (AAUS) e outras conferências nacionais e internacionais. A participação nestes eventos permite que a DAN se mantenha atualizada com as pesquisas envolvendo a medicina do mergulho e apóie esses esforços, como patrocinadora ou parceira nestes estudos. O trabalho em todos os níveis dessas comunidades de pesquisa em medicina e mergulho nos mantém na vanguarda, esforçando-nos para alcançar nosso ideal de fazer com que todos os mergulhos sejam livres de acidentes e problemas.
R: As lesões perfurantes criam um ambiente ideal para infecções locais ou mesmo sistêmica, como o tétano. Jamais subestime estes ferimentos por perfuração, e certifique-se de lavar bem o ferimento com sabão e água tão cedo quanto possível. Procure a avaliação de um médico ao menor sinal de preocupação e certifique-se de que suas vacinas estão em dia.

Além da dor no local da perfuração, sintomas sistêmicos ocorrem ocasionalmente e podem incluir náusea, síncope (perda da consciência), ataxia (perda da coordenação), câimbras musculares, fraqueza generalizada, parestesias (alterações na sensibilidade) e mesmo dificuldade respiratória. Porém, estes sintomas mais sérios são muito raros. Geralmente esses ferimentos representam mais um desconforto passageiro do que um perigo.

No raro evento em que os espinhos contêm toxinas, os efeitos destas, tal como a dor, podem ser amenizados com imersão em água quente. A maior parte destas toxinas são termolábeis, o que significa que suas moléculas podem ser quebradas com o calor. A imersão em água quente é uma parte importante dos primeiros socorros; a água deve estar na temperatura de 45 graus centígrados para maior eficiência no alívio dos sintomas. O uso da água mais quente pode prejudicar os tecidos, assim, teste sempre a temperatura você mesmo antes usá-la em outra pessoa – as reações cutâneas locais podem alterar a capacidade do acidentado de discernir se a água está muito quente.

É importante notar que algumas espécies possuem pigmentos bastante persistentes e os pontos escuros na pele podem ser apenas pigmentos e não espinhos. Na maior parte dos casos será mais fácil avaliar se ainda há espinhos presentes ou não quando o inchaço inicial diminuir. A decisão de remover ou não os espinhos depende de uma série de fatores: localização, dor com movimentos, envolvimento de tendões ou articulações, sinais de infecção e reações alérgicas. Da mesma forma que um ovo é mais resistente se pressionado no seu sentido longitudinal, mas frágil se pressionado pelos lados, os espinhos do ouriço-do-mar podem ser bastante duros durante a penetração, mas extremamente frágeis quando você tenta removê-los. Em alguns casos, a localização com o auxílio de radiografias pode orientar melhor os esforços de remoção.

Corpos estranhos como fragmentos de espinhos podem causar reações granulomatosas, consistindo em células imunológicas formando nódulos ao encapsular o corpo estranho. Esta é uma reação imunológica normal com o objetivo de isolar substâncias que são estranhas ao organismo até que o granuloma as tenha digerido ou as tenha eliminado com a drenagem do pus através de uma fístula na pele. O processo poderá levar desde poucos dias até vários meses.

A prevenção é o ideal. Antes do seu próximo mergulho, considere estratégias como trabalhar no controle de sua flutuabilidade. Caso seu treinamento já esteja um pouco antigo, ou ache bom se atualizar para melhorá-lo, consulte um instrutor na sua área sobre a possibilidade de um treinamento específico para controle de flutuabilidade.
R: A doença inflamatória intestinal (DII) é uma condição crônica que causa a inflamação e, algumas vezes, a ulceração do intestino. As duas formas mais comuns são a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. Como o nome sugere, a retocolite ulcerativa é limitada à região do cólon ou reto, porção final do intestino grosso. A doença de Crohn, por outro lado, pode envolver qualquer parte do tubo digestivo, desde a boca até o ânus. Alguns indivíduos são geneticamente predispostos para a DII; aqueles que são afetados também correm maior risco de desenvolver um câncer no trato gastrointestinal.

A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn também podem apresentar várias manifestações fora do trato digestivo, as quais podem envolver artrite, lesões inflamatórias nos olhos (irite e episclerite), lesões na pele, inflamações nos dutos biliares e os tecidos adjacentes (colangite esclerótica e pericolangite). Os sintomas sistêmicos são comuns na DII e incluem febre, sudorese, mal-estar e dores nas articulações.

Freqüentemente afetando pessoas nas faixas etárias entre os 20 e 40 anos, dentre as complicações da DII estão anemia (falta de ferro), desequilíbrio eletrolítico, deficiência na absorção de fluidos e nutrientes, doença hepática e desidratação. Os casos mais simples, apresentando apenas sintomas ocasionais, podem ser tratados com medicamentos, mas os casos mais graves podem necessitar de remoção cirúrgica da região afetada do intestino.

A maior parte das pessoas com DII conhece bem sua condição e suas limitações. O mergulho só é recomendado se a condição já está em processo de cura ou se os sintomas são brandos e bem controlados. Mergulhadores com DII que viajem a locais remotos, ou encontrem-se hospedados dentro de um barco, devem ponderar atentamente a logística no caso de uma crise aguda ocorrer. Numa situação dessas, o tratamento pode se complicar ou demorar. Pessoas com DII apresentando sintomatologia ativa não devem mergulhar.
R: Diferentes espécies de anelídeos poliquetas estão presentes em todos os oceanos do mundo. Geralmente são muito coloridos e comparados por muitos que os observam a taturanas do mar. O comprimento destes pode variar desde alguns milímetros até uns 20 centímetros. Os sintomas derivados do contato com um poliqueta podem incluir coceira, inflamação, rubor, queimação e adormecimento. O tratamento é sintomático, o que significa que o objetivo é apenas amenizar os sintomas manifestados. Uma fita adesiva pode ajudar na remoção das cerdas ainda presentes sobre a pele. Lave a região do contato com água e sabão e mantenha-a seca. Geralmente são indicados medicamentos tópicos vendidos sem receita médica, como pomadas e cremes antiinflamatórios. Caso apareçam bolhas no local, não se deve perfurá-las. Deixe-as secar por conta própria.


© Alert Diver — Winter 2012


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