DAN Medical Frequently Asked Questions

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Equalização da Orelha usando Capuzes

Os médicos da DAN respondem às suas perguntas sobre medicina de mergulho.Q: Quando não estou usando um capuz, não tenho problemas para equalizar minhas orelhas. Quando eu uso um capuz tenho sempre muita dificuldade. Por que a diferença?

A: Quando pressurizamos o espaço da orelha média usando a manobra de Valsalva ou outra técnica de equalização, a membrana timpânica (tímpano) se curva ligeiramente para fora. Se o canal auditivo está desobstruído e consegue transmitir esta pressão, a água no canal auditivo se desloca com facilidade em resposta à pressurização. Um capuz que esteja tampando de forma justa a orelha externa pode restringir muito o movimento desta água, prejudicando a capacidade do mergulhador de equalizar.

Uma das formas mais fáceis de remediar esta situação é colocar um dedo por baixo do capuz próximo à orelha, o que permitirá que a água se mova facilmente. Outra solução usada por alguns mergulhadores é fazer um buraco na parte interna do capuz, próximo ao canal auditivo, no revestimento interno e no neoprene, mas deixando o tecido externo ou cobertura intacto. O buraco permite à água se mover com pouca restrição.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT

Q: Dentro de poucas semanas eu farei minha primeira viagem de mergulho em um liveaboard. Muitos amigos meus que são veteranos em liveaboards sugeriram que eu tomasse medicação para dormir (zolpidem ou zopiclona), pois a viagem e o ambiente podem prejudicar o padrão normal de sono. Eu gostaria de usar alguma medicação para não sofrer de privação do sono, mas o quão seguro são os remédios no contexto de mergulhos frequentes?
A: Ambos os remédios tem se mostrado menos problemáticos para a maioria dos indivíduos do que outros hipnóticos ou sedativos. Entretanto eles não são isentos de risco. Existem evidências tanto de ensaios clínicos quanto de relatórios de campo de que o uso inadequado destes medicamentos pode prejudicar a capacidade de uma pessoa dirigir um carro de forma segura. As habilidades físicas e cognitivas exigidas para mergulhar são muito semelhantes às usadas para dirigir um carro, portanto é razoável traçar um paralelo entre as duas atividades. Para reduzir o risco de problemas, é essencial tomar tanto um quanto outro medicamento de acordo com as orientações. O medicamento deve ser tomado logo antes de se recolher para uma noite de oito horas ininterruptas de sono.

Mudanças de fuso horário podem afetar os ritmos circadianos, e o uso de medidas de ajuste irão ajudar os distúrbios de sono. Muitos mergulhadores consideram o ambiente ativo extremamente favorável ao sono e são prazerosamente surpreendidos pelas suas capacidades de dormir bem ao final de um dia de mergulho cheio.

É importante discutir o uso destas medicações com seu médico para determinar se elas são apropriadas para você, principalmente se você está tomando outras medicações ou apresenta condições médicas como apneia do sono. É igualmente importante testar a medicação bem antes de sua viagem de mergulho, para avaliar os seus efeitos e algum possível problema em um ambiente seguro e familiar.

Outro importante fator a ser considerado é que um dos medicamentos que você mencionou exige menos tempo para ser eliminado pelo corpo do que o outro. Isto não exclui o uso de qualquer um deles, mas dependendo de sua sensibilidade o medicamento de ação mais curta pode ser uma escolha prudente. Além disso, existem evidências clínicas de que pessoas acima dos 65 anos podem demorar mais tempo para eliminar a medicação do corpo. Se você acordar na manhã seguinte ao uso do remédio completamente alerta e sem problemas, é possível mergulhar. Isso irá exigir uma avaliação extremamente honesta da sua parte e de seu dupla de mergulho; a maioria dos medicamentos apresenta raros efeitos colaterais, e é importante determinar se o seu é o caso raro.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT

Q: Meus amigos e eu nos revezamos todos os finais de semana fazendo mergulhos em naufrágios. A pessoa responsável por nos amarrar aos naufrágios naquele final de semana realiza dois mergulhos (um para prender o barco e outro para soltá-lo) em dois naufrágios, ambos a aproximadamente 30 metros de profundidade. Cada um dos quatro mergulhos demora pouco mais de cinco minutos, e todos os intervalos de superfície são de cerca de uma hora. A pessoa que nos amarra ao naufrágio nunca realiza os outros mergulhos, ela fica pescando e tomando sol enquanto os outros mergulham. Nós subimos a uma velocidade de 18 metros por minuto. Deveríamos estar fazendo paradas de segurança nos curtos mergulhos feitos para amarrar o barco?
A: Mergulhos rápidos para amarrar o barco a um naufrágio não irão fornecer muito gás inerte para os tecidos lentos ou mesmo para os intermediários. Tecidos rápidos, entretanto, podem ficar significativamente carregados, especialmente com a profundidade e a intensidade do exercício, que pode ser substancial nestes mergulhos. Paradas rápidas podem adicionar um fator de segurança de duas formas: primeiro, diminuindo a velocidade de subida em antecipação à parada, e segundo, com o tempo de parada adicional para equilibrar.

A DAN realizou um estudo sobre velocidade de subida alguns anos atrás que foi interrompido precocemente devido a um aumento esmagador do risco associado a altas velocidades de subida. Você pode se surpreender ao saber que 18 metros por minuto era a velocidade "alta". Dito isto, no entanto, é importante ter consciência de que uma velocidade uniformemente baixa pode ser contra produtiva, pois ela pode prolongar a absorção de gás inerte na fase profunda do mergulho.

Uma estratégia que considera a mudança de pressão relativa é manter uma velocidade de subida padrão até cerca de menos da metade da redução de pressão (subida), e então progressivamente diminuir a velocidade a partir deste ponto até a realização de uma parada rasa para beneficiar os tecidos rápidos (pulmões, sangue, e depois cérebro). Por exemplo, a profundidade com metade da pressão de 30 metros é 10 metros. Pode ser uma estratégia sensata começar a diminuir a velocidade de subida a cerca de 12 metros e subir progressivamente de forma mais lenta até interromper a subida aos 5 metros. Não existe um número mágico para a melhor duração da parada. Um minuto pode ser suficiente para um mergulho rápido e com baixo esforço; dois a três minutos (ou mais) pode ser sensato se houve grandes trabalhos envolvidos. É importante ter em mente que as paradas de segurança foram desenvolvidas para oferecer uma margem de segurança — conservadorismo — para a exposição. Não fazê-las não leva necessariamente a um mau resultado. Ao mesmo tempo, não ter um problema depois de não fazer uma parada não significa que a parada não tenha valor. A mentalidade voltada para a segurança é a que faz com que você incorpore fatores de segurança confortáveis sempre que possível, para aumentar as chances de um bom resultado.

Entender a importância da mudança de pressão relativa é importante para controlar o estresse da descompressão. Uma subida cuidadosa em qualquer mergulho, longo ou curto, é um seguro barato. O fato de que você esteja pensando sobre o assunto pesa imensamente a seu favor.

— Neal W. Pollock, Ph.D.

Q: Eu sou uma ávida mergulhadora e pescadora sub. Eu estou grávida no momento, e como eu esperava, meu médico me disse que eu não deveria fazer mergulho autônomo. Mas eu fiquei surpresa quando ele me disse que eu também não deveria fazer mergulho livre. Qual é a lógica por trás disso, ou ele está simplesmente sendo cuidadoso demais?
A: Considerações éticas limitaram tanto a abrangência quanto o número de estudos sobre gravidez e mergulho (mergulho livre e autônomo). A maioria da literatura disponível é puramente anedótica ou consiste de dados coletados após o parto. No livro Mulheres e Pressão: Mergulho e Altitude (Women and Pressure: Diving and Altitude, Caroline E. Fife, M.D., e Marguerite St. Leger Dowse, eds., Best Publishing, 2010), Maida Beth Taylor, M.D, cita um questionário retrospectivo que mostrou associações de taxas mais elevadas de baixo peso ao nascer, de defeitos de nascença, de dificuldades respiratórias neonatais e de outros problemas, com a pratica do mergulho autônomo durante a gravidez. Estes dados são limitados mas suficientes para levar os profissionais da área médica a recomendar que não se pratique o mergulho autônomo durante a gravidez ou enquanto se está tentando engravidar.

Os dados sobre mergulho livre e gravidez são ainda mais limitados. A maior parte das pesquisas sobre mergulho de apneia e gravidez foi feita com as mergulhadoras Ama no Japão e Coréia. Estas mulheres mergulhadoras são reverenciadas por suas proezas no mergulho, e a tradição Ama existe há milhares de anos. Muitas destas mulheres continuam a praticar o mergulho livre durante a gravidez, embora elas modifiquem seus perfis de mergulho conforme a gestação progride. Embora as mergulhadoras Ama possam continuar a mergulhar até o momento do parto, elas tipicamente ficam próximas à praia nos estágios finais da gravidez. Algumas mergulhadoras Ama preferem não mergulhar de forma alguma durante a gravidez.

Taylor diz que existe um risco teórico - e ocasionalmente real - de mal descompressivo no mergulho livre. Entretanto, este risco é normalmente associado a mergulhos livres extremos, como os praticados pelas mergulhadoras Ama. Entre as mergulhadoras Ama especificamente, nenhum efeito adverso nos bebês foi relatado. Entretanto, a natureza fechada das comunidades de mergulho tradicionais asiáticas torna difícil coletar informações, e as mergulhadoras podem ser relutantes em visitar serviços médicos.

Taylor conclui que é razoável para mulheres grávidas praticarem o mergulho livre, mas ele não deve ser considerado uma boa forma de exercício para elas. Se o mergulho livre é uma atividade regular, ela julga que seja seguro continuar, desde que o ganho de peso e outros sinais de uma gravidez saudável progridam apropriadamente. Se os parâmetros maternos caírem, algo menos extenuante é indicado. Enfim, a decisão é da mulher e deve ser feita juntamente com seu médico. Os médicos da DAN também estão disponíveis para orientações.

— Lana Sorrell, EMT, DMT

© Alert Diver — 1º Trimestre 2014


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