DAN Medical Frequently Asked Questions

Back to Medical FAQ List
Bookmark and Share

Os DEAs são Seguros em Ambientes Molhados?

Os médicos e pesquisadores da DAN respondem às suas questões sobre medicina do mergulho. Ao verificar o equipamento de segurança disponível em um barco de mergulho, eu notei um desfibrilador externo automático (DEA) entre os equipamentos de primeiros socorros. É seguro usar um DEA perto de água? E em um barco com convés de metal?
Uma desfibrilação precoce e uma RCP agressiva são as duas ações que comprovadamente aumentam a probabilidade de sobrevivência de uma vítima de parada cardíaca. A RCP circula o sangue para os órgãos vitais, mas ela não pode restaurar o ritmo natural do coração do paciente. O tratamento para sobrevivência definitivo para alguém que sofre uma parada cardíaca é a desfibrilação — um choque. Para ser mais efetiva, a desfibrilação deve ser feita o mais rápido possível após a parada cardíaca. De acordo com a American Heart Association (AHA), cada minuto de atraso na desfibrilação reduz as chances de sobrevivência em 10 por cento. Estudos publicados provaram que uma desfibrilação precoce pode salvar até 74 por cento das vítimas.

Embora os DEAs venham sendo usados há muitos anos em aeroportos, shoppings centers, academias e centros de idosos, os mergulhadores e capitães de barcos podem relutar em traze-los para ambientes molhados ou para barcos de casco metálico por preocupação de que as pessoas próximas possam ser colocadas em perigo por uma potencial condução elétrica. Pesquisas recentes, no entanto, indicam que os DEAs são seguros para serem usados próximos a água ou em superfícies metálicas.

A melhor informação disponível provém dos fabricantes de DEAs, que documentam uma condução mínima de eletricidade para as pessoas próximas durante a desfibrilação com os DEAs. Contanto que o socorrista não tenha contato direto com o peito da vítima (ex: tocar o peito para administrar RCP), ele ou ela não correm risco de sofrerem um choque elétrico importante. Além disso, quanto mais longe as pessoas próximas estiverem dos terminais de desfibrilação, menor a eletricidade que será transmitida. Aqueles em um barco ou em uma superfície condutora (metal ou água) podem sentir, no máximo, um formigamento.

Em uma declaração da AHA e outras agências de ressuscitação: "Sempre verifique com o fabricante, mas a maioria dos DEAs, porque eles têm aterramento próprio, podem ser usados com segurança em ambientes molhados ou superfícies metálicas sem riscos para a vítima ou para o socorrista."

— Frances Smith, EMT-P, DMT

Por que os efeitos da doença descompressiva (DD) duram mais do que as 12 a 18 horas que os gases demoram para serem liberados do nosso corpo? As bolhas que causam a DD ocasionam outros problemas no corpo que duram mais? Se esse for o caso, por que os mergulhos em câmaras são eficientes para aliviar os sintomas de DD mesmo depois que já tenha se passado um dia ou mais e que o nível de gases inertes no corpo não esteja mais elevado?

A DD pode se manifestar de várias formas, e os sinais e sintomas dependem do sistema ou sistemas do corpo que estão sendo afetados. A DD normalmente envolve grandes números de pequenas bolhas, e seus efeitos incluem danos mecânicos aos tecidos e a interrupção do fluxo de sangue para algumas áreas do corpo. Pode ocorre irritação do endotélio (as células que recobrem os vasos sanguíneos), o que leva a uma resposta inflamatória que pode fazer com que as plaquetas iniciem um processo de coagulação e que as células brancas do sangue se acumulem. A inflamação e o dano aos tecidos demoram um pouco para se curarem, o que é a razão pela qual a DD dura mais tempo do que o necessário para eliminação do gás inerte.

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) pode ser efetiva por dias ou até mesmo uma semana ou mais após um mergulho porque a OHB tem significativas propriedades anti-inflamatórias e oxigena os tecidos lesionados, assim promovendo a cura. A OHB é normalmente administrada depois que o dano tecidual, a inflamação ou outras lesões tenham ocorrido e que não haja mais gases inertes; nesses casos o propósito é apenas promover a cura. Entretanto, a OHB administrada muito cedo após o acidente também promove a eliminação do gás inerte.

— Scott Smith, EMT-P, DMT

Eu fui submetido a uma estapedectomia recentemente. Eu posso mergulhar? Quais são os riscos?

Cirurgiões de orelha, nariz e garganta com treinamento em medicina do mergulho têm opiniões diferentes com relação a prudência de se mergulhar após uma estapedectomia, que é uma cirurgia para tratamento de perda auditiva onde é feita a substituição do estribo na orelha média por uma prótese. Essa controvérsia se estende para o mergulho com qualquer condição de orelha que aumente o risco de uma lesão permanente. Todos nós que mergulhamos colocamos nossa audição em risco, e um barotrauma (lesão por pressão) da orelha média e/ou interna aumenta o risco de uma perda auditiva. Enquanto alguns otorrinolaringologistas são absolutamente contra o mergulho para indivíduos que tenham problemas de orelha, outros opinam que pacientes que estejam cientes e aceitem os riscos potenciais podem mergulhar.
Estudos limitados descreveram pequenos números de pessoas que mergulham após estapedectomias. Os resultados para essas amostras indicam que as pessoas estudadas não apresentam um risco de lesão maior em comparação com o grupo controle de mergulhadores — desde que eles consigam equalizar suas orelhas e sinus com segurança de acordo com as mudanças de pressão no ambiente. Dito isso, as consequências de uma falta de equalização podem ser maiores para aquelas pessoas que foram submetidas a procedimentos de estapedectomia. A falha em equalizar o espaço da orelha média eficientemente ou uma tentativa de fazê-lo forte demais pode deslocar a prótese.

O deslocamento pode ser corrigido apenas com cirurgia e pode causar uma perda auditiva permanente.

Mergulhar após uma estapedectomia também acarreta o risco de que o deslocamento da prótese possa lesionar a janela redonda ou oval da cóclea. Uma lesão como essa pode afetar permanentemente tanto a audição quanto o equilíbrio. De novo, não é que o risco de lesão seja necessariamente maior do que aquele enfrentado por outros mergulhadores, é que as consequências são maiores em caso de lesão.

Antes de decidir começar ou voltar a mergulhar, claramente é melhor para você reavaliar a sua aptidão física para o mergulho com um médico e fazer uma análise de risco/benefício brutalmente honesta baseando-se nas informações disponíveis. Contate a DAN se você quiser mais informações.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT

Eu sou um mergulhador iniciante, e tenho dificuldades para equalizar minhas orelhas. Eu ouvi que não devo usar descongestionantes nasais, mas é seguro mergulhar se eu usar corticosteroides intra-nasais?

É muito comum para mergulhadores iniciantes vivenciarem uma dificuldade para equalizar seus espaços da orelha média. Conforme você ganha experiência e aprende as técnicas que funcionam melhor para você, você sentirá a equalização mais fácil em geral. Existem poucos dados científicos sobre qualquer medicamento específico e o mergulho, mas baseado nos efeitos colaterais conhecidos de sprays de corticosteroides intra-nasais, há poucas razões para suspeitar que eles serão problemáticos para os mergulhadores.
Embora a natureza de ação rápida dos descongestionantes possa ser atrativa, existem várias razões pelas quais os corticosteroides podem ser uma opção mais segura. O inchaço e inflamação das células que recobrem o tubo de Eustáquio, o espaço da orelha média e os sinus pode levar a uma oclusão e a um barotrauma. As membranas mucosas que recobrem essas estruturas são vascularizadas, e os descongestionantes oferecem uma solução de curto prazo para a congestão ao constringir os vasos sanguíneos nas membranas mucosas, o que diminui o inchaço. Quando o efeito do congestionante passa, no entanto, os vasos sanguíneos não ficam mais constritos. O efeito posterior é que os vasos sanguíneos irão inchar e podem se tornar mais cheios de sangue do que anteriormente, o que é conhecido como efeito rebote. Diferente dos descongestionantes, os corticosteroides não agem como vasoconstritores, portanto não há efeito rebote.

Outra desvantagem dos descongestionantes é que eles são usados apenas para efeitos de curto prazo e podem perder eficiência com o uso habitual. O corticosteroide propionato de fluticasona e medicamentos similares, por outro lado, são destinados a serem usados em períodos de tempo substancialmente maiores do que os descongestionantes. Se você planeja usar um corticosteroide intra-nasal, é importante começar a usá-lo pelo menos uma semana antes de seu mergulho, porque demora aproximadamente esse tempo para a droga atingir sua eficiência máxima. Em geral, corticosteroides intra-nasais são considerados seguros quando administrados da forma recomendada e podem ser muito efetivos na prevenção de barotrauma de orelha e para aqueles que tem dificuldade de equalização.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT

A linha para Informações Médica da DAN está aqui para responder a todas as suas questões médicas relacionadas ao mergulho. Você pode falar com a equipe médica durantes o horário comercial normal (segunda a sexta feira, das 9h às 17 h, horário da costa leste americana) no telefone +1-919-684-2948, ramal 222. Você também pode enviar o seu e-mail para www.DAN.org/contact.

© Alert Diver — 3º Trimestre 2014


Other From the Medical Line FAQs