DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador com excesso de lastro fica sem ar durante pesca submarina

Um mergulhador novato, usando um equipamento completamente novo, ficou sem ar e voltou à superfície sem o seu dupla. Na superfície, ele não tinha ar suficiente para inflar o seu colete equilibrador e teve problemas para permanecer flutuando. Quando tentou se liberar do lastro, ele entrou em pânico e teve de ser resgatado por outros mergulhadores que estavam no barco, antes que se afogasse.No meu décimo mergulho, fiz uma saída de pesca sub com um grupo de mergulhadores mais experientes a uma profundidade de 12 m (40 pés). Estava com o meu equipamento novo: roupa, colete, arma, mas emprestei um regulador e um manômetro usados. Estava usando uma roupa J-Type de 7 mm, 13 kg (30 libras) de chumbo e um cilindro de aço de 100 pés cúbicos.

A água estava fria e turva e, embora eu tivesse um companheiro de mergulho muito experiente, nós nos separamos rapidamente na água escura à caça de peixes. Quando nos reencontramos, notei que, no esforço para recarregar a arma, eu tinha reduzido o meu ar a apenas 600 psi. Alertei o meu dupla; ele indicou que eu deveria voltar à superfície imediatamente e ele permaneceria na água porque ainda tinha 2.000 psi restantes.

Subi para 6 m e notei que estava ficando mais difícil respirar. Foi a mesma sensação que tive quando o meu instrutor fechou o ar durante o curso. Lembrei de ter aprendido no curso que, se subisse um pouco mais, poderia conseguir uma respiração a mais. Meu colete equilibrador estava quase desinflado e não havia ar para enchê-lo, então tive de nadar até a superfície. Logo percebi que estava com um excesso de lastro significativo.

A água estava verde devido à proliferação de algas e entrei em pânico rapidamente. Não podia calcular com precisão a minha distância em relação à superfície, dado que a visibilidade era de poucos centímetros a partir dos 4,5 m. Tive a sorte de conseguir chegar à superfície e tinha a intenção de inflar o colete oralmente, como havia aprendido no curso. Estava com o botão deflador pronto, mas me senti puxado para baixo rapidamente pelo lastro e pelo equipamento. Àquele ponto, soltei minha arma nova, compreendendo que estava em uma situação para a qual não estava preparado.

Esforcei-me para voltar à superfície com a intenção de me liberar do lastro assim que conseguisse respirar. Na superfície, com mais dificuldade do que antes, minha visão se reduziu devido ao pânico. Não conseguia encontrar a presilha de desengate rápido vermelha do meu colete em meio às cores verde da água e preta do equipamento e da máscara. Submergi de novo e me esforcei para voltar à superfície. Soltei as fivelas do peito e da cintura e tentei liberar-me do colete e do cilindro, mas o velcro da cintura não se abria. Estava com visão reduzida e muito medo, e não tinha mais nenhuma destreza nas mãos. Não conseguia encontrar a extremidade da cintura de velcro para abri-la e ao mesmo tempo estava me esforçando terrivelmente para chegar à superfície e não ser carregado para o fundo dos 12 metros.

Felizmente, dois mergulhadores tinham permanecido no barco durante o segundo mergulho. Achei que seria melhor viver do que parecer ridículo, então gritei por socorro. Eles responderam que eu devia soltar o lastro, mas eu não conseguia. Um deles lançou uma boia salva-vidas do barco, mas não a vi, embora quase tenha me atingido na nuca. O outro mergulhador baixou o bote e remou cerca de 30 metros na minha direção. Jurei a mim mesmo que ficaria na superfície mas, enquanto ele se aproximava, percebi que não chegaria a tempo. Sabia que estava morrendo; eu ia me afogar. Afundei e não conseguia mais subir, então levantei minha mão em direção à superfície.

Quando estava prestes a apagar, o mergulhador me alcançou, me levou para a superfície, me prendeu à lateral do bote e remou de volta.

Chegando ao barco, os dois mergulhadores removeram a parte de cima da minha roupa de mergulho e me ministraram oxigênio, que felizmente havia a bordo. Senti náuseas e vomitei no barco, o que atribuo ao ácido lático e ao esforço excessivo, mais do que à ingestão de água salgada, mas não tenho certeza.

Continuei a sentir náuseas por cerca de uma semana depois disso e fui ao médico. Minha pressão sanguínea estava bem alta, mas, à parte isso, eu estava bem. Se eu tivesse mais experiência, teria sabido que poderia ter ligado para a DAN. Mas me sinto grato só por estar vivo. Desde então, comprei um novo computador, um regulador, um cilindro maior e um cilindro do tipo pony bottle. Nunca me separo do meu dupla e verifico constantemente a pressão do ar, o tempo de mergulho e a flutuação. Ainda mergulho, mas estou muito mais consciente agora!
A equipe de Pesquisas da DAN entrou em contato com o mergulhador por e-mail com perguntas adicionais. Ao invés de escrever um comentário da equipe, segue um comentário atualizado do próprio mergulhador. É interessante notar o quanto os mergulhadores podem aprender com os seus incidentes e sustos.

Obrigado por sua resposta. Foi uma experiência penosa e eu agradeço a Deus por ainda estar aqui. Sei que estava a poucos segundos de apagar e afundar antes que meu resgatador me tirasse da água naquele dia. Agradeci arfando: "Eu estava morto... você salvou a minha vida, você salvou a minha vida". Ele só respondeu: "Eu sei". Mais tarde ele nos contou que os meus olhos tinham se revirado na máscara debaixo d'água e ele podia ver que eu estava quase morto. Fiquei muito chateado e desapontado comigo mesmo por ter deixado aquilo acontecer. Podia até visualizar minha esposa contando ao nosso filho o que tinha acontecido e meu chefe falando com os meus colegas. Podia visualizar a notícia no jornal de que "mais um mergulhador morre em acidente durante saída de pesca sub". Só que dessa vez aquele mergulhador seria eu!

Respondendo às suas perguntas, na época eu tinha 41 anos de idade. Tenho 1,88 m de altura e pesava 87 kg. Estava treinando para a minha primeira maratona e estava em excelente forma. Curiosamente, dado que meu pai tinha morrido de ataque cardíaco com 50 e poucos anos, eu estava determinado a não deixar que isso acontecesse comigo. Por isso, adotei um programa de exercícios muito rígido por dois anos antes desse acidente, sem saber que a força cardíaca extra na verdade salvaria a minha vida em um incidente de mergulho muito antes dos 50 anos.

A pressão no cilindro antes do mergulho era de aproximadamente 3.000 psi. Um mergulhador novato naquele ambiente — escuro, frio, com tarefas ativas envolvendo a pesca sub e a oportunidade de se separar, além da distração de uma máscara pouco adaptada ao rosto, com muitos vazamentos, e um manômetro velho e emprestado. Era a receita de um desastre.



Quando me recuperei desse incidente, investi em um computador com ar integrado muito mais fácil de ver e de ler, além de uma fonte de ar muito maior (cilindro de 119 pés cúbicos — sim, talvez um pouco exagerado), além de um pony bottle de 19 pés cúbicos. Também me familiarizei muito mais com o meu equipamento, pratiquei o abandono de emergência do lastro e tenho uma checklist na minha mente em todos os momentos.

Se as coisas derem errado novamente, eu sinalizarei imediatamente ao meu dupla. Mas, se por alguma razão, ele não estiver ao alcance da vista, agirei no mesmo instante! Isso significa: não faça estardalhaços se tiver um problema; aja de modo decidido imediatamente! Eu também tiraria minhas luvas de 5 mm para ter mais destreza na água. Fiquei impressionado com quanto foco e habilidade perdia à medida que os segundos se passavam. Em um cenário de sobrevivência, é essencial não perder a calma e começar a pensar "apenas no ar". Eu precisava tirar aquele peso o mais rapidamente possível e não tentar nadar para a superfície ou tentar preservar o meu "equipamento novo e caro". Se eu tivesse me liberado dessa carga antes, teria tido muito mais chances de sobrevivência, mas a mantive por tempo demais e perdi a clareza de raciocínio.

Amo mergulhar hoje mais do que nunca e me sinto muito mais confiante do que naquele dia, mas o incidente nunca está longe demais da minha mente quando monitoro o meu equipamento e me preparo para um outro mergulho.

-Compilado por Jeanette Moore



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