DAN Medical Frequently Asked Questions

Back to Medical FAQ List
Bookmark and Share

Debilidade nos músculos e sensação de formigamento nas pernas indicam possível DD na medula espinhal

Uma mergulhadora, no retorno de uma imersão a 24,3 m (80 pés), sentiu dor nas costas e náusea. Ela recebeu oxigênio, mas logo sentiu fraqueza e uma sensação de agulhadas em ambas as pernas. Ela recebeu tratamento de oxigenoterapia hiperbárica (HBOT) quase dois dias depois do retorno para casa. Depois de três sessões na câmara hiperbárica, ela ainda apresentava sintomas persistentes em um das pernas. A suspeita é de uma lesão por descompressão na medula espinhal.Tenho 48 anos de idade e peso 58 kg; tenho 96 mergulhos registrados, 12 dos quais nos últimos 12 meses. O incidente aconteceu no meu 12º mergulho em uma série de seis dias. Foi no primeiro mergulho do dia. O mergulho foi a 24,3 m (80 pés) por cerca de 35 minutos. Depois de voltar à superfície e pegar o barco para retornar à praia, carreguei o meu cilindro por uma pequena colina de volta à operadora. Logo depois, senti dor nas escápulas, seguida por náusea. Recebi oxigênio e deitei-me em uma rede do lado de fora da operadora.

Sentia-me realmente desconfortável na rede e então resolvi entrar na operadora, onde havia uma poltrona. Quando tentei me levantar, não consegui mexer minhas pernas nem mover os dedões dos pés. Tinha uma sensação de fortes agulhadas que percorriam ambas as pernas. Depois de cerca de 45 minutos recebendo oxigênio, recuperei o uso das pernas, mas ainda tinha uma sensação de dormência em ambas. O médico da ilha não identificou o problema como uma doença descompressiva e simplesmente me aconselhou a repousar.

De volta para casa na América do Norte, um dia e meio depois, a dormência tinha melhorado, então procurei assistência médica e fui tratada em uma câmara hiperbárica. A primeira sessão do tratamento levou cerca de cinco horas e meia; mais tarde, naquele mesmo dia, passei por outra sessão de três horas. No dia seguinte, passei por outra sessão de três horas. Depois da segunda sessão, não sentia mais nenhuma dormência na perna esquerda. Contudo, ainda sentia dormência na perna direita, motivo pelo qual fizemos o terceiro tratamento. A dormência não foi resolvida; depois de aproximadamente um mês, transformou-se em dor no nervo — uma sensação de queimação e formigamento, com alguma perda da sensibilidade ao frio e ao calor.

Nada mudou com relação à minha perna direita no último ano. Consultei um neurologista e recentemente fiz uma ressonância magnética da espinha e do cérebro. A ressonância magnética não relevou nenhuma anormalidade. O neurologista me prescreveu remédios para tentar aliviar a dor e disse que poderia levar muito tempo para se chegar a uma cura.

Fiz um teste para forame oval patente e os resultados foram negativos. Fiz 22 mergulhos (muito conservadores) desde o incidente. Felizmente, mergulhar não tem nenhum efeito sobre a minha perna; não sinto diferença nem durante nem após o mergulho.
Os sintomas descritos por esta mergulhadora foram causados, muito provavelmente, por uma lesão por descompressão na medula espinhal. Um mergulho a 24,3 m (80 pés) por 35 minutos pode produzir uma quantidade significativa de bolhas de gás no sistema venoso, especialmente em se tratando de um mergulho de perfil quase quadrado. Bolhas venosas podem contribuir para uma lesão na medula espinhal, como já foi demonstrado em um modelo animal de doença descompressiva, mas bolhas na circulação não são necessárias para isso. Neste caso, os sintomas começaram com náusea e dor entre as escápulas, o que poderia refletir bolhas venosas de gás transitando pela circulação pulmonar. Debilidade muscular nas pernas (paraparesia) com sensação de agulhadas (parestesia) seguiram a lesão na medula espinhal indicada.

Esses sintomas, raramente, podem se resolver sozinhos. Porém, não havia nada no momento de início do sintoma que indicasse uma solução favorável, e ele deveria ter sido tratado como uma emergência.

O uso do oxigênio como primeiro socorro aumenta a probabilidade de que os sintomas serão resolvidos e deve ser iniciado o mais rapidamente possível. Até mesmo em casos que apresentam solução completa, os sintomas podem retornar; tratamento padrão com recompressão em câmara hiperbárica e oxigenoterapia hiperbárica (HBOT) deveriam ser utilizados em seguida.

Neste caso, os sintomas melhoraram, mas não se resolveram completamente depois de 45 minutos de administração de oxigênio. Receber oxigênio por mais tempo poderia ter ajudado. A HBOT foi utilizada alguns dias depois e resultou em melhoria adicional, mas os sintomas persistiram. Sintomas menores residuais foram relatados em mais de 70% das lesões por descompressão na medula espinhal. Não é possível dizer se uma aplicação precoce da HBOT poderia ter levado a uma solução completa. A dor persistente que restou neste caso não é uma distração menor, porém esta mergulhadora tem sido capaz de conviver com ela e até mesmo de continuar mergulhando.

A debilidade muscular na perna depois de um mergulho deve ser sempre tratada como uma emergência e os mergulhadores deveriam receber uma avaliação neurológica completa, oxigênio como primeiro socorro e evacuação para o pronto-socorro mais próximo, onde as medidas adequadas podem ser tomadas para assegurar tratamento em tempo hábil e o melhor resultado possível.

— Petar Denoble, MD., D.Sc.


Other Case Summaries FAQs