DAN Medical Frequently Asked Questions

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Rindo sem ar

Um mergulhador aprende a importância da comunicação com o dupla e as checagens de equipamento antes do mergulho quando ambos os seus reguladores falham depois serem removidos para dar algumas risadas subaquáticas.Sou um apneísta e mergulhador autônomo experiente com mais de 50 mergulhos no meu histórico. No dia do incidente, eu estava mergulhando a 20 m (65 pés) com um grupo de amigos. Começamos a brincar uns com os outros, como sempre fazemos. Sempre que começo a rir embaixo d'água, eu tiro o regulador da boca. Desta vez, antes que eu pudesse recolocá-lo na boca, um amigo me empurrou pelas costas e eu ri ainda mais. Quando finalmente reposicionei o regulador, não consegui respirar por ele. Fiz diversas tentativas de inspirar, todas sem sucesso. Quando tentei alertar os meus amigos de que eu estava tendo problemas, eles acharam que eu estava brincando.

Verifiquei a pressão do ar restante e o manômetro indicava 80 bar (1.160 psi). Mudei para o meu segundo estágio alternativo, mas ele também não fornecia ar. Eu estava longe demais dos meus companheiros para pegar um dos seus reguladores alternativos. Apertei o botão do meu colete e vi que ele funcionava. Porém, apesar da pressão adequada, não conseguia respirar.

Decidi nadar rapidamente para a superfície. Quando olhei para cima, entendi que eu provavelmente não conseguiria alcançar a superfície, e a urgência para respirar estava insuportável. Aceitei que a superfície não era uma opção e não queria ceder ao pânico. Como uma última tentativa de autorresgate, pressionei o botão de purga dos dois reguladores. Os dois soltaram ar. Recoloquei o meu regulador principal na boca, pressionei o botão de purga e consegui respirar.

Visto que estava funcionando novamente, decidi terminar o mergulho e fiz uma subida controlada à superfície. Esse incidente durou de 15 a 20 segundos no total. Geralmente me sinto muito à vontade na água, mas aquele foi um problema que eu nunca tinha previsto. Além disso, eu não tinha considerado pressionar o botão de purga previamente, antes de recolocar o regulador na boca.
Os incidentes ou acidentes de mergulho raramente acontecem devido a uma única causa. O caso acima ilustra como múltiplos fatores estão envolvidos e foi uma sorte que tenha tido um resultado positivo. Ele poderia facilmente ter terminado tragicamente. No caso em questão, vários fatores devem ser considerados: a manutenção dos reguladores, o teste de respiração do regulador de reserva antes do mergulho, o mergulho em dupla, a comunicação subaquática e as brincadeiras embaixo d'água.

Sabemos, a partir do relato do mergulhador, que o seu regulador principal estava funcionando normalmente e que ele tinha um suprimento de gás suficiente. Não sabemos quão bem o mergulhador conservava o seu equipamento. Por que o regulador não funcionou corretamente depois de ter sido tirado da boca não ficou claro, mas podem-se fazer especulações razoáveis. É possível que partículas ou cristais salinos tenham impedido a válvula do segundo estágio de funcionar normalmente. Não se sabe se na superfície, antes do mergulho, o mergulhador tinha respirado com o regulador alternativo, que também poderia estar bloqueado devido a partículas ou cristais salinos. A pressão negativa produzida pela respiração normal provavelmente não foi suficiente para liberar a válvula em tal caso. Despressurizar manualmente o botão de purga de ambos os reguladores produziu pressão suficiente para mover a válvula. Purgar o regulador antes de colocá-lo de volta à boca deveria ser um procedimento padrão.

Além disso, nunca é demais enfatizar a importância da manutenção correta dos equipamentos. Tentar respirar com ambos os reguladores, principal e alternativo, ainda na superfície, pode revelar problemas que podem ser solucionados, evitando-se uma potencial catástrofe.

Outro ponto que a história narrada acima reforça é a necessidade de se permanecer sempre a uma distância correta e útil do(s) companheiro(s). Duplas que estão "à vista um do outro" com boa visibilidade podem estar distantes demais quando uma assistência se faz necessária. Por outro lado, essa prática geralmente resulta em separação do dupla. Neste caso, o próprio mergulhador afirmou que os seus companheiros estavam todos distantes demais para que ele alcançasse os seus segundos estágios alternativos depois da tentativa frustrada de comunicar essa necessidade. Uma situação problemática pode deteriorar em questão de segundos. A DAN aponta que 40% das fatalidades envolvem separação do dupla.

Juntamente com o contato correto com o dupla, uma comunicação eficaz é essencial. Esse mergulhador não conta como ele tentou comunicar a sua situação aos seus companheiros. A situação dele, é claro, não é o típico cenário para o qual somos treinados. No entanto, usar sinais familiares e combinados é a melhor atitude a se tomar. Revisar os sinais com o(s) seu(s) companheiro(s) antes do mergulho é importante para se certificar de que ambos os mergulhadores compreendem todos os sinais. Também é uma oportunidade para rever e praticar sinais que não são usados com muita frequência. Não há substituto para a manutenção correta dos equipamentos e para o contato e a comunicação adequados com o dupla.

Acima de tudo, é importante reconhecer que, embora seja um divertimento, mergulhar é um assunto sério; não há muito espaço para brincar quando se está mergulhando.

— Marty McCafferty, EMT-P, DMT


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