DAN Medical Frequently Asked Questions

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Omissão do controle da flutuabilidade antes do mergulho causa problemas

Mergulhador autônomo sobrevive a uma situação de risco causada pela omissão do controle de flutuabilidade antes do mergulho.O mergulhador era um homem de 51 anos de idade, 1,80 m de altura (71 polegadas) e pesava 122,5 kg (270 libras). A sua experiência consistia em 72 mergulhos, tendo chegado à profundidade máxima de 36,5 m (120 pés). Ele considerava o seu nível de habilidades como intermediário. Ele relatou um incidente que tinha ocorrido em um mergulho em naufrágio, usando roupa seca e ar comprimido.

Este é o relato.

Não fiz um controle da flutuabilidade antes do mergulho, e ficou evidente que eu estava carregando lastro em excesso assim que entrei na água. Tentei nadar diretamente para o naufrágio, em vez de me dirigir até a proa do barco de mergulho e descer pelo cabo que estava fixado nela. Porém, fui pego pela corrente e cheguei ao fundo longe do naufrágio. O outros mergulhadores não conseguiram me encontrar. No final, fiz uma subida segura, com uma parada de segurança, e ficou tudo bem.

Uma olhada rápida no registro abaixo mostra que eu comecei a afundar rapidamente.
Cheguei a 23,4 m (77 pés) em um minuto de mergulho. Adicionei ar na roupa, mas comecei a subir rápido demais. Meu computador disparou um alarme de aviso de subida rápida a cerca de 18 m (60 pés). Comecei a soltar o ar mas continuei a subir até cerca de 14 m (45 pés), então comecei a afundar de novo. Cheguei a 30 m em quatro minutos.

Naquele ponto, consegui ver o fundo e olhei em volta. Nadei até o naufrágio e agarrei-me a ele, de modo a não ser carregado pela corrente, enquanto pensava no que fazer. A cinco minutos de mergulho, encontrava-me à profundidade de 31 m (102 pés). Fiquei ali por cerca de cinco minutos, avaliando a situação; depois comecei a nadar em direção ao banco de areia, que se elevava gradualmente até 18 m (60 pés). Notei o cabo de subida e o alcancei em cerca de 12 minutos; subi por ele a até aproximadamente 13 m (43 pés) de profundidade. Permaneci ali por alguns minutos para liberar um pouco de ar.

Tentando acertar a minha flutuabilidade, fiquei subindo e descendo pelo cabo por algum tempo, até que decidi voltar à superfície, por volta dos 17 minutos. Comecei a subir rápido demais, soltei ar e caí para 18 m (60 pés). O resto do mergulho foi um contínuo sobe e desce, tentando permanecer a 3 m (10 pés) o suficiente para fazer os três minutos da parada de segurança.

Foi assim que um outro mergulhador viu o meu incidente:

**D entrou na água com excesso de lastro. O cilindro que ele alugou tinha uma flutuabilidade diferente daquela a que estava acostumado. Além disso, ele usava uma roupa seca com a qual não estava familiarizado. Ao entrar na água, D não verificou o lastro. Quando D soltou ar de sua roupa, o lastro em excesso entrou em cena e ele fez uma descida descontrolada direto para o fundo. D tentou subir, mas, devido ao excesso de lastro, ele teve de empregar uma grande quantidade de ar. O grande volume de ar se expandiu rapidamente e causou uma subida acelerada. Para resolver o problema, D soltou ar, mas o volume foi alto demais e ele afundou de novo. Esse processo continuou se repetindo até que D foi capaz de controlar melhor a sua liberação e inserção de ar e conseguiu voltar de forma segura à superfície.***Problemas de flutuabilidade*
Problemas de flutuabilidade são, frequentemente, a principal causa de fundo de incidentes de mergulho. Nesse caso, o mergulhador correu vários riscos: de sofrer um barotrauma devido à subida rápida, de ficar sem ar devido aos ajustes frequentes na roupa de flutuação, de exaustão, de afogamento e de doença descompressiva. Felizmente, a situação se resolveu sem lesões. A necessidade de praticar as habilidades de controle de flutuabilidade regularmente e de realizar o teste de flutuabilidade antes do mergulho sempre que uma nova configuração de equipamento é usada deve ser sempre reforçada.

Forma física para mergulhar
Esse era um mergulhador obeso usando remédios para vários condições médicas de saúde, além de vitaminas e suplementos. Com base nas informações fornecidas pelo relato, parece que há várias questões que podem afetar a forma física para mergulhar nesse caso:
1. Obesidade (IMC 37,7)
2. Indicações de doença cardiovascular; risco de doença cardiovascular
3. Combinação de remédios que pode ser perigosa

Contudo, a decisão está a cargo do médico do mergulhador, que tem pleno conhecimento do seu estado físico e de saúde.

Nós pedimos mais detalhes sobre o seu histórico médico, que foram fornecidas prontamente, mas não é apropriado discutir os seus detalhes em um fórum público como este, já que a identificação do mergulhador é possível. Aqui estão algumas perguntas e respostas que podem trazer conhecimentos novos, porém não completos:
• Você fez uma avaliação para uma possível doença cardíaca?
Talvez. Recentemente, fiz um exame chamado escore de cálcio coronariano. Usando um ultrassom, procura-se por obstruções no pescoço, braços e pernas para ter certeza de que o sangue está chegando a todos os pontos e não fica bloqueado. Não tive problemas.
• Você pratica exercícios? Que tipo de exercício, com que frequência e por quanto tempo?
Na verdade, não. De vez em quando, faço exercícios por cerca de uma semana, mas nunca mantenho o ritmo.
• Quantos mergulhos usando uma roupa seca você já tinha feito antes deste incidente?
Cerca de uma dúzia, e também fui aprovado em um curso de roupa seca. Porém, nunca me senti confortável na minha roupa seca. Sempre vazava, e eu tinha problemas com ela continuamente. O pessoal da loja onde a comprei me ajudou muito, mas é uma enorme frustração.
Entendemos que esse mergulhador tem uma boa atitude quando se trata de controle médico, mas poderia melhorar no que diz respeito ao seu estilo de vida. Ele tem estado sob supervisão médica completa. Seu médico particular receita todos os seus medicamentos, e é importante controlar o risco de possíveis interações negativas entre os remédios. Ele realiza um check-up médico todos os anos.

Recentemente, passou por uma avaliação mais extensiva dos fatores de risco cardiovascular por meio de um escore de cálcio coronariano, que resultou dentro dos limites normais. Ele não fuma nem bebe excessivamente (até dois drinques por semana), porém não pratica exercícios o suficiente. O seu equilíbrio energético pende para o ganho de peso porque o seu consumo de alimentos excede o seu consumo de energia por meio de atividades físicas. Essa é uma área em que ele deveria considerar investir para melhorar a sua margem de segurança no mergulho. (Veja "Melhorando a resistência cardiovascular")

— Dr. Petar J. Denoble


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