DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulho caótico em corrente forte provoca vários ferimentos e quase resulta em afogamento

Um mergulhador deparou-se com vários incidentes em um único mergulho — incluindo separação do dupla, fortes correntes, equipamento defeituoso, exaurimento do ar e lacerações — tudo isso quase resultou no seu afogamento.Comecei este mergulho por volta das 15h. A água começou a ficar agitada. No briefing do mergulho, disseram que mergulharíamos contra a corrente e que daríamos a volta no topo do recife de corais para observar mantas gigantes.

O mergulho começou bem e descemos até os 33 m (109 pés). Quando a corrente aumentou – tivemos de nos segurar na parede do coral com uma das mãos – subimos para 16 m (53 pés). Àquela altura, eu já estava me segurando com ambas as mãos. Estava talvez a 12 m (40 pés) ou algo assim do topo do recife, quando subitamente olhei em volta e todos os mergulhadores e os quatro dive-masters tinham desaparecido. Senti-me como se não pudesse mais seguir adiante e não me soltei da parede.

Àquela altura, eu tinha 1.000 psi (68 bar) de ar restante. Entrei em pânico por uns dois minutos; então me recompus e decidi escalar a parede verticalmente. Sabia, pelo briefing, que havia uma onda enorme a 7 m (23 pés) na superfície do recife e que deveríamos nos manter longe dali, mas estava começando a entrar em pânico e a hiperventilar.

Quando cheguei à superfície do recife, tentei me enfiar em algumas fissuras para me recompor um pouco. Então tentei liberar a minha salsicha de emergência para que alguém na superfície soubesse que eu estava subindo. Naquele ponto, duas coisas aconteceram. Eu já tinha me machucado bem feio na subida, batendo contra o recife, e então a onda me pegou e me virou. Quebrei minha ulna direita e sofri algumas lacerações significativas nos meus braços e pernas.

Foi quando tentei inspirar e percebi que o ar tinha acabado. Achei que tinha ficado a 6 m (20 pés) por tempo suficiente, então voltei à superfície. Estava em tal estado de pânico naquele momento que me sobrecarreguei de CO2. Não conseguia inflar meu colete nem minha boia de segurança ou usar meu apito. Gritei algumas vezes para chamar a atenção do barco a 68,5 m (75 jardas). Não pensei em tirar os meus pesos ou o colete. As ondas então tinham de 1,20 m a 1,50 m (4 a 5 pés) e eu estava exausto e hiperventilando.

Não me lembro do que aconteceu em seguida. Acredito que afundei, e um dos dive-masters pulou do barco e nadou até mim. Ele me puxou e me segurou até a chegada do inflável. Quando eles tiraram o meu colete para me colocar no inflável, perdi minha câmera e meu GoPro. Eles me puxaram para dentro do inflável e me colocaram de bruços sobre os tanques de oxigênio, o que forçou a expulsão da água dos meus pulmões. Eu estava azul, mas hiperventilando. Não me lembro de nada do que aconteceu dentro do inflável, mas meu companheiro de mergulho disse que quando cheguei ao barco eu ainda estava muito azul; eles me carregaram a bordo, administraram oxigênio e tiraram minha roupa de mergulho.

Eu tinha cerca de seis lacerações, todas cortes de corais, que precisavam de suturas. Sou médico, então mais tarde optei por não fechá-las. Eu tinha muito Cipro a bordo, então comecei a tomar antibióticos. Também recebi oxigênio puro por cerca de 20 minutos. Acabei com uma dor de cabeça, mas me sentia com sorte por estar vivo.Meu equipamento de mergulho tinha sido removido, então não pude ver o meu computador de mergulho nem o meu cilindro. Mais tarde, notei que não havia nenhuma válvula de mergulho no colete que eu estava usando. Durante o dia todo, eu tinha tido problemas e voltado à superfície cedo; me pergunto se eu tinha passado o dia todo sem a válvula, o que também explicaria a minha falta de ar neste mergulho. Meu colete tinha sido danificado no transporte, então eu tinha emprestado aquele no barco. Assumo completamente a responsabilidade por não ter checado o meu equipamento adequadamente.

Eu deveria ter morrido em muitos momentos durante este incidente, mas simplesmente não era o meu dia. A água estava cheia de tubarões. Quando estava a 6 m (20 pés), havia pelo menos 10 tubarões-de-recife nadando com a corrente. Nenhum tubarão se aproximou de mim, embora eu estivesse sangrando. Continuei a mergulhar no dia seguinte, sob forte recomendação do capitão. Acabei fazendo 17 dos 25 mergulhos programados para a viagem de nove dias.
1. Meus companheiros nunca explicaram por que me deixaram sozinho. Eles conseguiram passar o topo do recife, mas em seguida abandonaram o mergulho, foram transportados pela corrente e emergiram a uma grande distância. Acho que alguns deles simplesmente se deixaram levar e emergiram com ar nos seus coletes equilibradores para uma subida controlada, mas ainda assim foram levados para longe.

2. As condições dos mergulhos seguintes foram de amenas a moderadas. Não encontramos nenhuma corrente forte de novo. Mergulhamos por seis dias no total, e o acidente aconteceu no primeiro dia. Eu realmente tinha sentido, durante o briefing, que nós não deveríamos ter iniciado o mergulho do lado da corrente forte e que era muito tarde naquela dia para um mergulho tão agressivo. Também sinto que os operadores de mergulho foram um tanto arrogantes na sua ideia de "vamos todos pular na água e vejo vocês quando tiverem terminado." Nenhum sistema de duplas foi discutido. Depois do acidente, o capitão mergulhou comigo por todo o dia seguinte (coisa raríssima) e depois eu solicitei e/ou permaneci com um instrutor de mergulho pelo resto da viagem.

3. A empresa que administra o live-aboard apanhou o computador de mergulho e encheu o cilindro imediatamente após o incidente. Eu tinha alugado os dois equipamentos deles. Não pude ver nenhum dos dois antes que eles os pegassem de volta; também levei bastante tempo para voltar a raciocinar.

4. Naquela noite, quando consegui pensar com mais clareza, fui inspecionar o meu equipamento. Foi então que descobri que eles tinham completado o cilindro até 3.000 psi e substituído o meu relógio de mergulho. Enquanto inspecionava o equipamento, também notei que um conjunto de pesos tinha desaparecido do colete. Fui eu que descobri que não havia nenhuma válvula na parte de trás do colete. Mostrei-o imediatamente ao capitão, que disse que a válvula devia ter sido arrancada durante o acidente. Tentei explicar todos os problemas que eu tinha tido com os dois mergulhos anteriores devido à perda do ar, flutuabilidade, etc., mas ele disse que não concordava. Ele também indicou que achava que eu provavelmente não tinha ficado sem ar, que eu simplesmente tinha entrado em pânico e tinha tido um excesso de CO2 e que talvez tivesse usado os botões errados para inflar o meu colete. Não posso provar, mas lembro que a 16 m (53 pés) olhei o meu manômetro e vi que tinha apenas 1.000 psi. Não sou um grande consumidor de ar; sempre volto à superfície com pelo menos 700 a 900 psi. Se eu tivesse ar, deveria ter sido capaz de inflar a minha boia de segurança e o meu colete.

5. Quanto à ulna, continuei a mergulhar com ela naquelas condições. Estava tão inchada que por dois dias não percebi que tinha um grande hematoma. A fratura era muito fina, então só coloquei uma tala quando voltei para casa.
Mergulhar em correnteza é sempre uma atividade perigosa e requer avaliação apropriada dos riscos, planejamento adequado e medidas de segurança. A checagem antes do mergulho deveria ser completa e rigorosa. Neste caso, eu preferiria ouvir comentários dos leitores. Por favor, envie-nos os seus comentários, ou simplesmente pense sobre o que você teria feito em uma situação parecida.

— Petar Denoble, M.D., D.Sc.


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