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Mergulhadora com rebreather de circuito fechado desenvolve edema pulmonar por imersão

Uma mergulhadora com rebreather desenvolveu sintomas de edema pulmonar por imersão (IPE) a 87 m (291 pés). Mesmo assim, conseguiu realizar a sua descompressão obrigatória. (2012, EUA)Equipamento de mergulho: Rebreather disponível no mercado; diluente 10/15; ponto de ajuste 1.2; bailouts 15/50 e 50/10
Condições antes do mergulho, conforme relatadas: 30°C (86°F) até termoclina a 61 m (200 pés), 11°C (52°F) no fundo
Perfil: 97 m (291 pés)/81 minutos, com mais 10 minutos para descompressão obrigatória completa.
Devido às condições relatadas de frio no fundo, emprestei uma roupa de 5 mm com capuz, já que eu possuía apenas uma roupa de 3 mm com capuz. Meu dupla usava uma roupa seca.

A descida ocorreu sem imprevistos. Notei a termoclina a 57 m (186 pés). Continuou a esfriar à medida que descíamos, chegando a um mínimo de 11°C (52ºF) no fundo. Nosso plano era nadar no fundo até que o frio se tornasse insuportável, e então subir. Depois de poucos minutos àquela profundidade, comecei a sentir cócegas na garganta e tossi algumas vezes. Continuei a tossir um pouco a cada 30 segundos aproximadamente e, depois de 10 minutos no fundo, me senti como estivesse me esforçando muito e respirando com dificuldade enquanto mergulhava. (Sou uma excelente nadadora, além de triatleta; por isso, essa sensação não é algo normal para mim.) Estava sentindo realmente muito frio e sinalizei ao meu dupla para subirmos.

Durante a subida, em algum ponto próximo dos 61 m (200 pés), notei um "murmúrio" na minha respiração. Sentia-me como se houvesse um gargarejo com água bem atrás do meu esterno, abaixo do pomo de adão (cartilagem tireoide). Continuei a tossir e a murmurar, o que não era normal. Naquele ponto, eu ainda tinha 52 minutos de descompressão para cumprir. Decidi que simplesmente me concentraria em ficar no circuito, exercitando-me o mínimo possível, para fazer o máximo da descompressão que pudesse.

Quando chegamos à primeira parada descompressiva na faixa dos 27 m (90 pés), voltamos à água quente, com temperatura de 30°C (86°F). Meu dupla tirou o capuz da sua roupa seca para se refrescar. Visto que eu estava tossindo, ele apontou para a minha garganta e eu concordei, balançando a cabeça, que sim, ainda estava tossindo.
Por volta dos 21 m (70 pés), estava respirando com muita dificuldade por causa do murmúrio e sentia muito calor, então quis tirar o capuz. Estava complicado demais, e acabei cortando-o com uma tesoura. Senti-me um pouco melhor sem o capuz, e me concentrei na minha respiração e em manter a flutuabilidade para não estressar os meus pulmões com exercícios.

A 9 m (30 pés), percebi que o meu dupla não sabia que eu estava com problemas. Peguei uma prancheta e escrevi "DD séria" (eu não estava com DD, mas escrever "edema pulmonar por imersão" estava além das minhas capacidades naquela altura) e pedi a ele que abrisse a boia de sinalização para a superfície, o que ele fez prontamente.

O barco nos alcançou rapidamente, de acordo com o nosso protocolo de emergência, e a mergulhadora de segurança entrou na água com um cilindro de O2 em circuito aberto. Ela estava prestes a prendê-lo em mim, mas a afastei e escrevi na prancheta: "Nenhum exercício, não consigo respirar." Eu estava muito preocupada com a possibilidade de que o O2 comprometesse a minha flutuabilidade, e eu tivesse de nadar. A mergulhadora de segurança prendeu a garrafa de O2 ao meu dupla e nadou de volta ao barco para fazer o relatório da situação.

Concluímos a descompressão, embora eu tenha continuado a tossir e a murmurar enquanto respirava. O computador de mergulho do meu dupla é mais conservador, então eu terminei a descompressão 10 minutos antes dele.

Para o retorno ao live-aboard, o capitão posicionou o barco de modo que eu não precisasse nadar, e a mergulhadora de segurança removeu os meus cilindros de bailout e as minhas nadadeiras na água. Assim que cheguei ao convés, muitas mãos removeram o meu rebreather e a roupa de mergulho, e comecei a respirar O2 a 100%. A melhora enquanto respirava O2 durante o trajeto de várias milhas até o píer foi bem grande — a tosse diminuiu e o murmúrio se sentia apenas no fundo dos meus pulmões, não tanto na parte superior, como antes. A ambulância estava no píer quando chegamos. A equipe do hospital local realizou exames de raio-X e confirmou o edema pulmonar; eles me mantiveram ali durante a noite para observação e tive alta na manhã seguinte.

O resultado foi bom, com boa recuperação e sem problemas remanescentes.
A mergulhadora era experiente, porém não estava devidamente preparada para o estresse térmico do mergulho. A improvisação do equipamento pode ou não ter contribuído para o evento, mas problemas de adequação certamente adicionaram algum desconforto, como ficou evidente por ações tomadas na subida. A mergulhadora manteve-se de um modo geral tranquila e exerceu um julgamento positivo a respeito de uma situação indubitavelmente estressante. Com o apoio do seu dupla, ela provavelmente evitou um resultado muito mais complicado, que teria surgido em seguida a uma descompressão abreviada ou abortada.

A fraqueza fundamental nesse caso foi provavelmente a comunicação, com mensagens contraditórias levando à confusão tanto para o dupla quanto para a equipe de superfície. Embora se espere um certo grau de confusão em qualquer caso em evolução, a necessidade de comunicação clara, constante e flexível é evidente. Os mergulhadores frequentemente se concentram no estresse da descompressão, porém é importante recordar que vários problemas podem surgir.

O edema pulmonar por imersão é provavelmente o resultado de um efeito combinado do aumento do volume sanguíneo central e do aumento do esforço respiratório. O volume sanguíneo central é aumentado pela imersão, pelo estresse térmico e possivelmente pelo consumo de altos níveis de fluidos. O esforço respiratório é aumentado pelo circuito respiratório, pela posição do corpo, pela densidade do ar e pelo estresse e exercício físicos. Problemas têm maior probabilidade de surgir quando vários fatores — possivelmente cada um modesta e individualmente — atuam juntos.

Recomendamos que qualquer pessoa com um histórico de edema pulmonar por imersão entre em contato com o Dr. Richard Moon da Duke University, para verificar se a participação em um estudo de laboratório sobre os efeitos é apropriada. O conhecimento adquirido pode ser útil tanto para informação pessoal quanto para a comunidade do mergulho.

Para saber mais sobre o assunto, leia este artigo.

— Neal W. Pollock, Ph.D.


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