DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador tem erupção, tosse e perda dos sentidos depois de um banho quente

Engasgo, pele marmórea e perda dos sentidos ocorrem depois de mergulhos repetidos seguidos por um banho quente (2012, Honduras) Depois do terceiro mergulho no terceiro dia da nossa viagem, me alarmei quando notei que o indicador de nível de nitrogênio do meu computador estava próximo ao vermelho, embora ainda na zona amarela. Porém, os computadores dos meus parceiros de mergulho tinham a mesma indicação, então fiquei mais tranquilo. Fiz três mergulhos naquele dia, todos com ar. O segundo mergulho foi a 30,6 m (100 pés) e o terceiro a 23 m (75 pés) por 20 minutos, com o intervalo de superfície adequado entre eles.

Depois de voltar ao meu quarto, tomei um banho com água morna enquanto lavava a minha roupa de mergulho. Enquanto esperava pelo jantar, senti muita sede e tomei vários copos de água gelada. Comecei a ter dificuldades para fazer inspirações profundas sem tossir e me senti muito cansado. Antes que a comida chegasse, me senti mal e fui para o meu quarto. Meus companheiros vieram verificar como eu estava. Lembro que me perguntaram se eu estava bem, e então desmaiei. Eles abriram a minha camisa e notaram uma erupção no meu peito. Começaram a administrar oxigênio do resort e solicitaram que eu fosse encaminhado ao hospital imediatamente.

Depois de um exame completo no hospital, a equipe médica concluiu que eu não estava apresentando problemas cardíacos e me enviou para uma câmara de recompressão a 20 minutos dali. Os médicos me examinaram e concluíram que eu provavelmente tinha tido alguma doença descompressiva que, porém, não tinha sido grave o suficiente para precisar de tempo na câmara.

O hospital então telefonou e me informou que eu estava muito desidratado, com base no exame de sangue que tinham feito. Voltei ao hospital para mais observações durante a noite e para receber infusão salina intravenosa.

Desmaiei de novo mais tarde naquela noite no hospital. Mas o restante da noite foi bom e tive alta no dia seguinte no meio da manhã. Não mergulhei pelo resto da viagem.
Os sintomas do mergulhador são coerentes com manifestações cutâneas de doença descompressiva. Levando-se em conta as tosses (engasgos) e o episódio de perda dos sentidos, é muito provável que um componente neurológico tenha estado presente. Seus companheiros agiram corretamente ao procurar ajuda, fornecer oxigênio na superfície e encaminhá-lo para uma avaliação médica. O oxigênio na superfície ajudou a prevenir o agravamento dos sintomas e pode ter contribuído para a sua solução. A equipe do hospital foi prudente ao verificar a possibilidade de algum componente cardíaco potencial, porque alguns dos sintomas que ele apresentava podem ser associados a problemas cardíacos.

Há dados que indicam que um banho morno logo depois de mergulhar pode propagar sintomas cutâneos. O principal fator que pode causar o problema é a carga de gás inerte nos tecidos; quanto maior a carga, maior a probabilidade de se desenvolverem sintomas. Não se pode afirmar com certeza que o banho tenha contribuído para o desenvolvimento dos sintomas nesse caso. Porém é razoável acreditar que haja alguma conexão.

O mergulhador menciona que os seus exames laboratoriais indicaram que ele estava desidratado. O que provavelmente se observou foi o aumento de um marcador conhecido como hematócrito, que é uma variação dos componentes sólidos do sangue em relação ao conteúdo fluido (plasma). O exame foi feito depois que o mergulhador já tinha desenvolvido os sintomas; o estado de hidratação do mergulhador antes do mergulho não é conhecido. A maior parte dos mergulhadores recreacionais em regime de dieta normal antes do mergulho não ficam desidratados a um ponto que afetaria o resultado do mergulho.

No entanto, se um mergulhador tem uma DD, os seus vasos sanguíneos liberam plasma nos tecidos circundantes, o que pode ser detectado como alterações no nível de hematócritos. Isso muito provavelmente contribui para que um mergulhador com sintomas de DD pareça desidratado. Uma parte importante do tratamento para a DD é a ressuscitação fluida, idealmente alcançada com infusão intravenosa.

A decisão clínica última de se tratar um mergulhador em uma câmara é do médico que o está avaliando. Ele se baseará tanto na condição do paciente quando na sua experiência e competência. Geralmente, manifestações cutâneas por si só não requerem tratamento hiperbárico. Nesse caso, havia a suspeita de um componente neurológico. No momento da avaliação do mergulhador pelo médico hiperbárico, nenhuma evidência de sintomas neurológicos parecia ser evidente. O seu tratamento não foi inapropriado e, mais importante, teve um resultado positivo.
Por fim, o mergulhador prudentemente decidiu não voltar a mergulhar nessa viagem, que é a melhor prevenção contra a recorrência dos sintomas.

— Marty McCafferty, EMT-P, Especialista em Informação Médica da DAN, instrutor de mergulho


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