DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador perde cinco obturações em um mergulho

Um mergulhador com rebreather sente dor de dente na subida e perde cinco obturações poucos meses depois de procedimento odontológico. Eu tinha feito vários mergulhos descompressivos com um rebreather usando um scooter no plano horizontal sem problemas naquela semana. A profundidade máxima a que tinha chegado foi 47 m (154 pés). No meu último mergulho, senti uma pressão curta e leve acompanhada de dor nos meus dentes. A dor passou muito rapidamente; não dei importância a ela e prossegui com o meu mergulho.

Quando comecei a subir, depois de 30 minutos a 41 m (135 pés), senti dor novamente, mas desta vez era aguda e intensa. Ela afetava muitos dentes, e depois de subir apenas 2 m a 3 m (6 a 7 pés), tive a sensação de que várias obturações dos meus dentes estavam soltas. Em poucos metros, duas obturações simplesmente se desintegraram, e a dor tornou-se mais forte e intensa.

Interrompi a subida por alguns minutos, até que a dor regrediu para um limite gerenciável. Mudei do circuito fechado principal do meu rebreather para a minha unidade secundária de circuito aberto a uma profundidade de aproximadamente 30 m (98 pés) para expelir os resíduos das minhas obturações. O meu maior medo era que as obturações quebradas danificassem a válvula de respiração (DSV) do meu rebreather e me causassem mais complicações. Qualquer objeto, por menor que seja, se depositado na DSV, pode causar um vazamento no loop de respiração, permitindo o ingresso de dióxido de carbono.

Pouco depois, retornei ao loop do circuito fechado para uma fazer uma melhor descompressão e para conservar o ar. Durante a subida, a sensação que eu tinha em vários pontos da minha boca pode ser descrita como um dentista colocando uma agulha diretamente nos nervos dos dentes. Tudo na minha boca doía de modo excruciante. Meu companheiro de mergulho foi excelente e notou em poucos segundos que eu estava com problemas. Ele cuidou do meu scooter e carretilha, o que aliviou a minha carga de tarefas naquele momento. Permaneci por 10 minutos a 29 m (95 pés) para evitar que as outras obturações doessem e para ter uma ideia da situação antes de finalmente subir e terminar o mergulho.

Não tive problemas com meus seios paranasais antes, durante ou depois do incidente. Eu tinha tratado vários canais e passado por outros procedimentos odontológicos nos meses anteriores. Quatro dias depois do incidente, voltei ao meu dentista. Ele sugeriu que eu tivesse mordido forte demais o bocal. Um raio-X mostrou que o amálgama das obturações de cinco cáries estava solto ou tinha caído completamente, e um dos meus dentes apresentava evidência de danos ao nervo. O dentista substituiu as obturações danificadas e perdidas. Para o meu desalento, continuei a sentir dor de dente durante a descida quando voltei a mergulhar algum tempo depois.

Decidi mudar de dentista. Meu novo dentista fez um raio-X que mostrou fissuras em quatro dentes, inclusive nas duas obturações mais recentes que eu tinha substituído. Os dentes afetados eram todos molares inferiores. Um apresentava dano ao nervo, porque o meu dentista anterior tinha posicionado a obturação diretamente sobre um nervo. Meu atual dentista fez uma nova coroa, e todas as obturações soltas foram substituídas por novas obturações em resina composta. Fiz vários mergulhos desde então sem dor, porém ainda não cheguei à profundidade na qual o incidente ocorreu.
O incidente doloroso descrito por esse mergulhador é um exemplo de barodontalgia, que é definida como dor ou lesão que afeta os dentes devido a mudanças nos gradientes de pressão. O gradiente de pressão provado no mergulho é um fator que contribui para a barodontalgia e não é considerado a origem do problema.

A literatura suporta a afirmação de que a fonte da maior parte dos casos de barodontalgia durante o mergulho autônomo está mais intimamente relacionada à saúde dental geral do mergulhador. Quando um dente não é obturado completamente, o ar pode entrar por trás da obturação malfeita e ficar preso entre a obturação e o dente, sem modo de escapar. Esse ar preso empurra a obturação, causando dor de dente. Como demonstrado na história relatada, o ar pode acabar preso entre o dente e uma obturação inadequada meses depois do procedimento odontológico. No caso deste mergulhador, isso foi comprovado pelos procedimentos odontológicos subsequentes.

A dor durante a descida que o mergulhador relata nos seus últimos mergulhos pode ser atribuída a bolsas de ar remanescentes sob obturações incompletas. O elemento incomum verificado nesse caso foi que cinco dentes foram afetados no mesmo mergulho. No final, ficou-se sabendo que todos os cinco molares continham obturações imperfeitas da mesma fonte.

Dos 347 casos de barotrauma relatados na edição de 2008 do Relatório Anual de Mergulho da DAN, dois casos foram categorizados como barodontalgia. Embora seja considerada uma ocorrência rara, a barodontalgia não deveria ser subestimada, porque pode apresentar riscos potenciais para a segurança dos mergulhadores autônomos. Esses riscos à segurança podem incluir subidas rápidas e julgamento debilitado durante um mergulho devido à dor intensa.

Pesquisas sugerem que a incidência de barodontalgia em mergulhadores pode ser pouco reportada. É importante notar que esse mergulhador relatou ter passado por grandes procedimentos odontológicos e tratado múltiplos canais antes que esse incidente de barodontalgia ocorresse.

A Federação Dentária Internacional (FDI) recomenda aos mergulhadores um check-up dentário anual, além de não voar em cabines não pressurizadas nem realizar mergulhos autônomos nas primeiras 24 horas depois de um tratamento odontológico que tenha requerido anestesia, bem como esperar sete dias depois de um procedimento cirúrgico oral.

Manter boas práticas de saúde clínica oral — tais como fazer check-ups anuais, escovar os dentes diariamente e usar o fio dental — é comprovadamente o modo mais eficiente para se evitar e prevenir a barodontalgia durante o mergulho.

— Brittany Trout, equipe DAN
Relatório Anual de Mergulho (2008). (p. 139). Durham, NC. Recuperado de http://www.DAN.org/medical/report/2008DANDivingReport.pdf.

Robichaud, R. (2005). Barodontalgia as a differential diagnosis: symptoms and findings. (Barodontalgia como diagnose diferencial: sintomas e constatações.) J Can Dent Assoc. 71(1), 39–42.

Stoetzer M, Kuehlhorn C, Ruecker M, Ziebolz D, Gellrich N C, and Von See C. Pathophysiology of barodontalgia: a case report and review of the literature. (Patofisiologia da barodontalgia: um relato de caso e revisão da literatura.) Relatos de casos de odontologia, 2012, 453415. doi:10.1155/2012/453415.
http://www.DAN.org/medical/faq


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