DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador fora de forma morre nadando na superfície

Um mergulhador de 50 anos de idade e acima do peso sofre um provável evento cardiovascular enquanto está nadando.Contratei uma pessoa para me ensinar fotografia subaquática e acompanhar-me no meu primeiro mergulho em mar aberto. O instrutor perguntou se eu me importaria se ele convidasse um amigo do seu clube de mergulho — vou chamá-lo FF — para se juntar a nós. Para mim não havia nenhum problema. FF tinha 50 anos de idade e pesava 127 kg (280 libras).

Colocamos o equipamento e tentamos fazer o primeiro mergulho em uma praia rochosa, porém sem muito sucesso. Tanto eu quanto FF estávamos com pouco lastro. Depois de adicionar peso, tentamos novamente. FF usou o cabo de flutuação para descer, mas eu não consegui. O instrutor foi então buscá-lo e adicionamos mais lastro ao meu cinto.

Finalmente consegui descer, e o instrutor estava logo atrás de mim. Quando chegamos ao fundo, notamos que FF tinha desaparecido. O instrutor voltou à superfície e descobriu que ele tinha desistido daquele mergulho e retornado à praia. Mais tarde, soubemos que o seu colete equilibrador não estava soltando ar. Ele disse que tinha resolvido o problema soprando na mangueira de inflar para soltar o ar por uma válvula de exaustão na parte inferior.

Fizemos nosso intervalo de superfície e almoçamos.

Para o nosso segundo mergulho, tínhamos planejado nadar 180 m (197 jardas) até um navio afundado. Depois de nos equiparmos, FF e eu nos dirigimos aos degraus para entrar na água a aproximadamente 3 m (10 pés) de distância. FF ficou sem fôlego, então paramos para descansar. Chegamos ao final dos degraus, checamos reciprocamente nossos equipamentos duas vezes e entramos na água às 12:20h.

Nadando na superfície, o instrutor ficou um pouco à nossa frente, mas não deixou de nos monitorar. A um certo ponto, FF gritou que precisava parar um pouco. Em seguida, meu kit se enroscou nas algas e FF ajudou a me liberar. Continuando o percurso, vi que havia à frente uma pequena área livre de algas, então me girei e passei a nadar de costas. Alcancei o instrutor sem problemas. Notei que FF estava nadando em direção às rochas com algas presas no seu cilindro.

O instrutor perguntou se eu podia ficar parado ali um pouco enquanto ele ia ajudá-lo. Concordei e fiquei relaxando na água. Lembro-me de ouvir FF dizer algo que se assemelhava a um "Ai". O instrutor o liberou das algas e perguntou se ele estava bem. FF respondeu que sim. O instrutor lhe disse para colocar o seu snorkel e segui-lo, para evitar as algas. Quando ele chegou aonde eu estava, notamos que FF estava nadando em direção ao mar aberto e às algas novamente. Tentamos chamar a sua atenção, e então notamos que o seu snorkel e o seu ombro esquerdo se giraram para a frente.

O instrutor perguntou se FF tinha desmaiado. Respondi que algo estava errado e nadamos rapidamente até ele.

Alcancei-o antes, e o instrutor chegou menos de um segundo depois. Desvirei FF, puxando-o pelo braço direito. O instrutor removeu a máscara dele, e o seu rosto estava azul. Verifiquei o seu pulso e não consegui sentir nada. Disse ao instrutor para nadar até a praia, enquanto eu começava a rebocar FF. Eu podia ver as pessoas na praia, então comecei a gritar por ajuda, enquanto o instrutor agitava os braços. Quando chegamos mais perto, pedi aos gritos que alguém chamasse o 911, porque ele não estava respirando, não tinha pulso e estava azul. Muitas pessoas chegaram para ajudar e colocamos FF nas pedras, onde tiramos o seu colete para liberar o seu tórax. Tentei fazer massagens cardíacas, mas, sem uma plataforma estável, minhas compressões não foram muito boas.

O barco do socorro médico chegou e resgatou FF. Ele foi encaminhado para a câmara da ilha, mas não conseguiram ressuscitá-lo.

O seu perfil de mergulho tinha sido apenas uma imersão a 6,7 m (22 pés) por não mais de 5 a 10 minutos. Ele nunca voltou ao fundo nem reclamou de nada a não ser da falta de fôlego.
Nesse caso, a morte do mergulhador deveu-se, com grande probabilidade, a um evento cardiovascular agudo. O peso em excesso é um fator de risco por si só e está frequentemente associado a um condicionamento físico precário. No caso desse mergulhador, a falta de condicionamento é óbvia: FF perdeu o fôlego simplesmente por caminhar 3 m (10 pés) desde o ponto em que tinha se equipado até os degraus para entrar na água. Ele também precisou parar depois de nadar por uma curta distância na superfície. Enroscar-se nas algas aumentou a sua fadiga. As suas dificuldades com o equipamento indicam que essa pessoa não mergulhava com frequência e que as suas habilidades não estavam à altura da tarefa se propunha a desempenhar.

A descrição do seu incidente corresponde à morte súbita por causa cardíaca. A vítima tinha uma tolerância muito baixa ao exercício físico, o que indica que provavelmente sofria de uma doença coronariana séria. A autópsia determinará a verdadeira causa da morte. Os mecanismos possíveis são muitos, incluindo desde uma ruptura da placa aterosclerótica ou uma trombose causada por um infarto do miocárdio até uma disritmia fatal devido a uma hipóxia relativa do músculo cardíaco.

Há uma série de sinais de advertência para esse mergulhador. Ele provavelmente tinha dificuldades para subir poucos degraus de escadas em sua vida cotidiana, o que já é uma indicação suficiente de pouco condicionamento físico. Uma pessoa em tais condições deveria não apenas excluir o mergulho das suas atividades, como também buscar a motivação para fazer mudanças em prol da própria saúde.

— Dr. Petar J. Denoble


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