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Mergulhador experiente previne subida sem controle

Um mergulhador experiente com um scooter subaquático salva um mergulhador despreparado que hiperventilou em seu regulador e tentou uma subida de emergência.Mergulho regularmente com um pequeno grupo de mergulhadores experientes. Costumamos sair em um barco privado. Somos parte de um grupo do Meetup.com e ocasionalmente outros mergulhadores se unem a nós. Dessa vez, um mergulhador com certificação avançada e cerca de 30 mergulhos logados uniu-se ao nosso grupo para um mergulho depois do trabalho no naufrágio Jim Torgerson (RSB-1), a uma profundidade de 36,6 m (120 pés). A visibilidade estava entre 3 m e 4,5 m (10 a 15 pés). A corrente era forte o suficiente para que alguns dos mergulhadores mais familiarizados com o local reclamassem dela. Todos nós usávamos roupas úmidas e respirávamos nitrox a 32% em circuito aberto.

O novo mergulhador estava tendo dificuldades para descer acompanhando o cabo da âncora com o seu dupla. Eu e vários outros mergulhadores descemos logo atrás. Com poucos minutos de mergulho, ouvi um toque rápido no meu cilindro. Era um parceiro apontando para o novo mergulhador que subia do naufrágio longe do cabo da âncora. Ele estava flutuando e ganhando velocidade. Eu estava mergulhando com um veículo de propulsão subaquática SS Minnus (um scooter subaquático) e fui capaz de subir rapidamente de 27,4 m para 19,8 m (90 para 65 pés) e trazê-lo de volta para baixo e para o cabo da âncora a 27,4 m (90 pés). Se eu não o tivesse pego, ele poderia ter feito uma subida sem controle e chegado à superfície na corrente, incapaz de voltar para o barco sozinho. Outros mergulhadores vieram para o cabo da âncora. Nós nos comunicamos e decidimos que eu o levaria de volta à superfície, enquanto os outros terminariam o mergulho.

Então, fiz com que ele permanecesse parado a 27,4 m (90 pés) para dar-lhe o tempo de se acalmar e para que nossos corpos se ajustassem à subida e à descida rápidas que tínhamos acabado de fazer. Passei-lhe também o meu regulador com a mangueira longa, esperando que esta o ajudasse a respirar com mais facilidade enquanto ele se liberava do golpe de CO2. Ele tinha cerca de 1.000 psi restantes. Mesmo assim, eu queria também economizar o seu ar para levá-lo de volta ao barco.

Subimos pelo cabo da âncora extremamente devagar e fazendo uma parada de segurança extralonga, antes de colocá-lo de volta no seu regulador. No momento em que estávamos prontos para voltar à superfície, ele parecia estar muito melhor, embora tivesse vomitado no regulador durante a parada de segurança. Quando chegamos ao barco, assegurei-me de que não havia problemas médicos além das náuseas e fiz uma longa avaliação. Terminei o meu mergulho com 1.515 psi em um cilindro HP120, além de um pony bottle de 13 pés cúbicos cheio.

Concordamos que, apesar da sua certificação avançada e dos 30 mergulhos logados nos últimos dois anos, ele precisaria ter ganho mais experiência e praticado mais, gradualmente, para chegar a um mergulho como aquele. Além disso, ele é propenso ao mal do mar, fator que contribuiu para o problema, juntamente com a flutuabilidade complicada e a falta de luvas. Ele deveria ter se comunicado assim que começaram os problemas.

Vários outros mergulhadores no naufrágio o viram na situação de estresse, mas nem o seu dupla nem qualquer outro mergulhador conseguiu alcançá-lo quando ele começou a subir. Se não estivesse usando um scooter subaquático potente, eu também não teria conseguido chegar até ele. Levei em consideração o fato de que eu tinha acabado de começar o meu mergulho. Além disso, era o meu primeiro mergulho do dia e sei que as subidas rápidas a mais de 18,3 m (60 pés) são menos perigosas do que aquelas próximas à superfície. Sou um mergulhador técnico com cerca de 370 mergulhos com ar, nitrox e descompressivos e estou estudando trimix. Mergulho em naufrágios a essa profundidade quase semanalmente e me sinto muito à vontade nessas condições.
Este é um caso típico de um mergulhador que foi além do próprio nível de treinamento e experiência. Grupos de mergulho informal têm grande probabilidade de deixar passar essa questão por respeito à autonomia e à liberdade. Embora cada mergulhador seja responsável por si mesmo, todos no grupo seriam afetados em caso de um acidente de mergulho; por isso, os mergulhadores do grupo têm o direito de checar as competências uns dos outros. Não é descortês; é parte da cultura do mergulho em segurança.

Sistemas de duplas entre mergulhadores que não se conhecem frequentemente falham. Aconteceu neste caso também. Para que o sistema de duplas funcione, os mergulhadores precisam estabelecer regras antes do mergulho, estar confortáveis em relação às habilidades do outro mergulhador e concordar um plano de mergulho comum. Quando mergulhando em corrente forte, como neste caso, uma checagem com o dupla antes da descida geralmente é impossível. Assim, é mais importante ter uma boa conversação antes do mergulho e realizar uma checagem cruzada.

O mergulhador que narra a história muito provavelmente salvou a vida desse mergulhador inexperiente. O resgatador provavelmente não teria tido sucesso sem o scooter, que possibilitou que ele alcançasse o mergulhador na subida antes que ele estivesse raso demais e o trouxesse de volta a uma profundidade segura. Um mergulhador em esforço e passando por uma subida de emergência acaba, frequentemente, sofrendo um barotrauma do pulmão, uma embolia gasosa arterial ou um afogamento.

Mergulhadores experientes em grupos informais não deveriam guardar os seus conhecimentos para si mesmos. Pelo contrário, deveriam oferecer os seus conselhos voluntariamente para o bem de todo o grupo.

— Dr. Petar J. Denoble, MD. D.Sc.


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