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Mergulhador em dieta extrema adoece depois de um mergulho inócuo

Sintomas ambíguos de doença descompressiva aparecem em um mergulhador que está passando por uma dieta extrema de baixas calorias e hormônio hCG.Depois de terminar o mergulho, saí da água, removi o equipamento e corri para o banheiro. Quando voltei, minhas pernas e o braço direito estavam estranhos. Contei à minha dupla e ela perguntou se eu havia comido. Respondi que não, então ela me deu alguns crackers sabor queijo. Minha condição melhorou e voltei a sentir o braço e as pernas.

A equipe da operadora realizou um exame neurológico de cinco minutos e não encontrou anormalidades. Quando estava cuidando do meu equipamento, comecei a me sentir mal novamente. Senti dor de cabeça e náusea. Continuou a piorar, então um dos mergulhadores me deu uma garrafa de oxigênio para respirar. Depois de pouco tempo sem melhoras, alguém telefonou para o 911.

Uma ambulância me transportou para o hospital e eu continuei sob oxigênio por todo o tempo. Depois de várias amostras e testes de sangue, ficou determinado que eu estava bem. Meus sintomas começaram a desaparecer e eu consegui deixar o hospital. O médico do pronto-socorro disse que eu tinha tido um episódio de doença descompressiva (DD) amena que tinha sido resolvido, mas que eu deveria retornar ao pronto-socorro se os sintomas reaparecessem.

Esse foi o perfil do meu mergulho:
Eu tinha perdido um pouco de peso recentemente (tenho 1,57 m de altura e peso atualmente 65 kg) e não tinha usado minha roupa seca desde então. Fazia cinco anos que eu tinha sido certificado e tinha realizado 170 mergulhos.Os sintomas que este mergulhador provou podem ser qualificados, retrospectivamente, apenas como ambíguos. Uma sensação "estranha" nas pernas e braços pode ter sido uma manifestação de DD, mas a natureza transitória e a ausência de sinais neurológicos óbvios provocam algumas dúvidas. A dor de cabeça por si só não faz um diagnóstico de DD ou de embolia gasosa arterial (AGE).

Devido à combinação de ambos os sintomas, a doença descompressiva (DD) foi adequadamente levada em consideração, e o mergulhador foi levado ao hospital. A avaliação médica profissional não encontrou nenhum sinal objetivo de DD. Os sintomas melhoraram com a administração de fluidos intravenosos e oxigênio na superfície. Um tratamento de recompressão não foi necessário. A diagnose permanece ambígua: possível mas não definitiva DD amena. O perfil do tempo de mergulho que o computador registrou não mostrou excessos.

Uma avaliação adicional de fatores que possivelmente contribuíram chamou a nossa atenção para o fato de que este mergulhador perdeu muito peso recentemente. O peso de 65 kg para uma altura de 1,57 m pareceu razoavelmente normal (IMC 26,7). Ao solicitar mais detalhes, recebemos a seguinte resposta:

"Comecei a perder peso há mais de um ano. Meu peso, na época, era de 88 kg (IMC 35,8; obeso). Minha dieta consistia em alguma comida vegana e seguia um pouco o programa dos Vigilantes do Peso. Enquanto estava em dieta, quis voltar a correr, então treinei para uma corrida local de 5 km. Não tenho certeza sobre quando comecei a correr, mas tenho continuado; até este incidente, eu corria de duas a três vezes por semana, até 4,32 km (3 milhas) por dia. Consegui manter os 18 kg que tinha perdido por algum tempo e então comecei uma nova dieta com a qual meus pais tinham tido ótimos resultados com a Metabolic Research Clinic (Clínica de Pesquisa Metabólica). Essa dieta incluía hCG e uma dieta de baixas calorias. Atualmente peso 65 kg. Felizmente, minha perda de peso foi intencional, e não a consequência de uma doença. Devo mencionar que continuei a mergulhar avidamente durante todo o ano e não tive outros problemas. Além disso, meus pais seguiram o plano de dieta da Metabolic Research Clinic durante a maior parte do ano e eles também continuaram a mergulhar. Tiraram, inclusive, férias de mergulho (mais de 20 mergulhos em uma semana) sem problemas. Meu pai é mergulhador de caverna e naufrágio; ele realizou vários mergulhos descompressivos este ano sem problemas."

O hCG é a gonadotrofina coriônica humana, um hormônio que o corpo das mulheres grávidas produz durante a gravidez. Ele é comercializado por fabricantes de suplementos para a perda de peso. Essa dieta limita a ingestão calórica a 500 calorias por dia por oito semanas, ao mesmo tempo em que se está tomando o hCG, seja por injeção, gotas, comprimidos ou sprays vendidos sem receita. O Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo dos EUA responsável pelo controle de alimentos e remédios, não aprovou nenhum deles para a perda de peso. As injeções são aprovadas para tratar problemas de fertilidade, mas não os produtos de hCG sem receita. O FDA enviou cartas de aviso a várias empresas que vendem produtos de hCG homeopáticos.

Se você limita a ingestão de alimentos a 500 calorias por dia, você perderá peso, mas o hCG não tem nada a ver com isso. No entanto, viver com apenas 500 calorias por dia é perigoso. A ingestão mínima recomendada é de 1.200 calorias por dia para as mulheres e 1.500 para os homens, de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde. Restringir as calorias para além desse limite deveria ser feito apenas com supervisão médica, por causa dos riscos para a saúde.

Mais de doze experimentos clínicos falharam em comprovar um possível papel do hCG na perda de peso. Ouça os comentários de Pieter Cohen, da Escola de Medicina de Harvard .
"A dieta hCG não é apenas uma dieta tola da moda", ele disse, "mas é também uma dieta perigosa."

Mergulhar enquanto se está seguindo uma dieta extrema é perigoso. Mergulhar enquanto se está seguindo uma dieta extrema de baixas calorias e hCG pode ser ainda mais perigoso. O fato de este mergulhador e seus pais terem mergulhado várias vezes sem consequências não deveria tranquilizá-los, nem a outros mergulhadores. Tal prática é um experimento mal ponderado que não resultará em nenhum conhecimento útil, mas poderá causar algumas perdas.

— Dr. Petar J. Denoble, MD. D.Sc.


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