DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador com rebreather passa ao circuito aberto devido ao acionamento frequente do solenoide

A não realização da checagem da célula de um rebreather quase leva a uma falha depois que acionamentos frequentes do solenoide alertam o mergulhador para passar ao circuito aberto.Eu estava usando um rebreather durante um mergulho em naufrágio. Enquanto nadava ao longo do convés a cerca de 30 m (100 pés), percebi que o solenoide estava sendo acionado mais do que o normal para um mergulho em profundidade constante. Aquele era um mergulho que eu tinha feito muitas vezes, e eu tinha certeza de que o disparo do solenoide não era normal.

Mudei para o circuito aberto e encerrei o mergulho acompanhado pelo meu dupla. A passagem para o circuito aberto (bailout) ocorreu sem problemas, com uma mudança de ar para o oxigênio para concluir uma pequena descompressão obrigatória. Depois de checar os sensores de oxigênio, convenci-me de que as células velhas estavam provavelmente "limitadas pela corrente" e não podiam mostrar uma pressão parcial maior do que 1.0 de oxigênio. Dado que o ponto configurado para a adição de oxigênio (set point) era 1.3 bar, meu solenoide estava sendo acionado com frequência excessiva na tentativa de elevar a pressão parcial de oxigênio.

Na época, eu possuía cinco rebreathers; repensando o incidente, percebi que eu estava usando aquele havia mais de um ano. Não tinha verificado as datas das células, e elas tinham ultrapassado o seu tempo de vida útil. Visto que aquele era o primeiro mergulho de uma sequência, eu ainda não tinha adicionado O2 às minhas células no final do mergulho para confirmar que elas não estivessem limitadas pela corrente.
Em contato com o oxigênio, as células de oxigênio produzem corrente, medida em milivolts (mV). A saída aumenta com o aumento da pressão parcial de oxigênio. Normalmente, em contato com ar que contenha 21 por cento de oxigênio, a saída da célula varia entre 8 mV e 13 mV e, no oxigênio, fica entre 38 mV e 62 mV. Essa faixa varia um pouco dependendo do fabricante.

O processo de calibração na superfície antes do mergulho inclui descarregar na célula oxigênio a 100 por cento (pressão parcial do oxigênio {PRO2 = 1 bar}), ler e gravar a saída da célula em mV e aplicar aquele valor para o valor de 1.00. Supõe-se que a saída aumentaria linearmente com o aumento da pressão parcial do oxigênio à profundidade em, no mínimo, uma PPO2 de 1.6. Nesse caso, todas as células já estariam parcialmente vazias e não poderiam responder com saída maior que 1 mV, independentemente de quanto alta fosse a PPO2. Células com esse tipo de falha são chamadas de "células de corrente limitada".

O computador da unidade foi configurado para manter a PPO2 de 1.6 bar no circuito de respiração; assim, quando a saída das células indicou que a PPO2 era de apenas 1 bar, o computador ativou o solenoide (válvula elétrica) para adicionar oxigênio no circuito. Dado que a saída das células não mudou, os solenoides foram ativados repetidamente, e isso alertou o mergulhador de que algo estava errado. Mudar a fonte do ar de para o circuito aberto foi a escolha correta, porque o mergulhador corria o risco de sofrer uma intoxicação por oxigênio, dado que a PPO2 no circuito era muito mais alta do que o indicado no monitor.

O erro primário nesse caso foi iniciar o mergulho sem verificar a data de validade do sensor. Existem registros de várias fatalidades ocorridas envolvendo rebreathers com células de oxigênio velhas, e esse mergulhador se encontrava claramente em uma área de risco muito alto. Até mesmo células de rebreathers que estão dentro do tempo de vida útil recomendado pelo fabricante podem se tornar "de corrente limitada".

Para diminuir o risco de toxicidade do oxigênio, quando se está aproximando prazo de validade declarado pelo fabricante, o mergulhador deve usar um ponto de ajuste mais baixo (1.0) no primeiro mergulho de uma sequência e verificar a linearidade das células no fim do mergulho com uma PPO2 mais alta.

Para mais informações, veja http://www.advanceddivermagazine.com/articles/sensors/sensors.html.

— Bruce Partridge


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