DAN Medical Frequently Asked Questions

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Mergulhador acima do peso não combina com mar agitado

Mar agitado cria problemas para um mergulhador em sobrepeso e diabético, que quase se afoga depois que uma escada bate em sua cabeça. (2012, USA)Eu participava de uma excursão de barco para um mergulho em naufrágio no Atlântico. As ondas eram altas cerca de 1,50 m a 1,80 m (5 a 6 pés) e o capitão disse que a corrente era de 0,5 nó. Vários mergulhadores (inclusive eu) estavam enjoados devido ao mar agitado e decidiram não mergulhar. Alguns entraram na água, mas retornaram logo ao barco. Vários outros mergulhadores acima do peso, contudo, concluíram os seus mergulhos. Se eles tinham conseguido, pensei que eu conseguiria também. Alguém me aconselhou a ir, afirmando que eu me sentiria melhor assim que entrasse na água, então decidi tentar. Eu estava usando uma roupa seca e um cilindro duplo 108s com colete tipo asa.

Entrei na água por último, quando no barco já estavam começando a preparar um segundo mergulho. Fui aconselhado a "entrar embaixo da corrente imediatamente", por isso eu não tinha ar nem na roupa seca nem no colete. Devido à forte corrente, os mergulhadores entravam na água e se seguravam em um cabo, com o qual o marinheiro os puxava até uma barra de metal para se apoiarem e, a partir dali, iniciavam o mergulho. Acredito que a corrente estava próxima a 3 ou 4 nós naquele momento.

Depois da entrada com o passo de gigante, fui puxado para a barra mas não consegui nadar para baixo da corrente como aconselhado e compreendi que estava com problemas. Meu inflador da asa tinha se deslocado para trás, nas minhas costas, e eu não conseguia alcançá-lo. Não pensei em usar o inflador da minha roupa seca. Comecei a bater as pernas para me manter na superfície e a dizer ao marinheiro que eu precisava de ajuda. Ele quis me puxar de volta para a barra de apoio. Finalmente o capitão do barco me ouviu e entrou na água para me ajudar a voltar para a escada do barco. Não consegui lhe explicar que eu precisava do meu inflador.

O mar parecia enorme; eu via o hélice do estibordo do lado de bordo do barco. Não me lembro do caminho de volta para a escada, mas acho que não consegui chegar até ela, porque estava me segurando no cabo, de costas e procurando pelo fim do cabo. Sentia que algo estava puxando o meu regulador e eu estava inalando um misto de água e ar.

Depois de um esforço tremendo da parte do operador e do meu dupla, cheguei à escada. No entanto, o barco pegou uma onda enorme, me virou de barriga para baixo, e a escada bateu na minha têmpora. Minha visão foi diminuindo até virar um túnel amarelado; lembro-me apenas de me soltar do cabo, afundar, sentir um puxão vigoroso nos meus pés e reencontrar o cabo. Lembro-me também de ouvir gritos mandando me amarrar, uma luta contínua e, finalmente, eu estava na plataforma de equipagem. Estava exausto e não conseguia ajudá-los a me movimentar para dentro do barco. De alguma forma, os outros conseguiram me colocar para dentro. Eles removeram a minha roupa seca e me deram oxigênio imediatamente. A administração de oxigênio continuou por todo o trajeto de volta.

Uma embarcação da Guarda Costeira nos interceptou no caminho e os seus médicos embarcaram; depois seguimos até uma estação da Guarda Costeira dos EUA (USCG) para esperar por uma ambulância. No hospital, fui diagnosticado com um afogamento "parcial" por água do mar e recebi terapia contínua de oxigênio. Mais tarde, fui transferido para outro hospital, onde o tratamento continuou; a equipe médica notou que os meus exames indicavam um problema nos rins. Eles ajustaram a medicação — sou diabético insulinodependente e uso Humulin R500, além de Naproxin para dor nas articulações. Recebi alta no dia seguinte, fui para casa e consultei o meu médico. Fui encaminhado imediatamente ao hospital local, onde continuei a receber tratamento para o afogamento, depois para insuficiência renal e, por fim, para fibrilação atrial. Fiquei cerca de dez dias no hospital e continuei em convalescença por aproximadamente um mês.

Esse incidente foi totalmente culpa minha, que tomei as decisões erradas em todos os momentos. Eu estava enjoado, desidratado, agitado e mergulhando com o equipamento errado. Estava determinado a mergulhar simplesmente para não perder o dinheiro, ignorando a experiência dos outros mergulhadores que tinham decidido não mergulhar, aceitando a ideia de que me sentiria melhor na água e, por fim, mergulhando sem flutuação. Recuperei-me completamente, fiz mais alguns mergulhos desde então e planejo continuar a mergulhar, usando essa experiência como guia para decisões futuras.
Julgamentos errôneos, tanto da parte do mergulhador quanto do operador, contribuíram para este incidente. Se o mar estava tão agitado e a corrente tão forte, o operador deveria ter alçado uma bandeira amarela, alertando os mergulhadores para se absterem de mergulhar se eles não estivessem em plena saúde e com bom condicionamento físico para a ocasião (por exemplo, mergulhadores sobrepeso, mais velhos, diabéticos, fora de forma e iniciantes). Infelizmente, não há um sistema estabelecido no mergulho semelhante aos utilizados em praias públicas ou em estações de esqui, para ajudar os mergulhadores a tomar as decisões mais acertadas.

Neste caso, o mergulhador conhecia todos os problemas e, ainda assim, fez um mau julgamento. Ele tem 67 anos de idade, é um mergulhador experiente, com 18 anos de mergulho, completamente capaz de tomar decisões responsáveis. O enjoo forte pode ter afetado o seu julgamento. Essa é uma razão a mais para que os operadores de mergulho auxiliem os mergulhadores em suas decisões.

Não havia detalhes no relatório sobre a sua aptidão física para o mergulho atestada por um médico. O fato de ter desenvolvido uma insuficiência renal pode indicar que ele já apresentava um dano ao órgão, o que advém do diabetes, assim como doenças cardíacas. No entanto, quando perguntado diretamente, ele declarou que tinha feito exames cardiológicos, incluindo teste de estresse e ecocardiograma, cerca de seis meses antes do incidente e tinha sido liberado para o mergulho. A sua pressão sanguínea era de 115/75 sem remédios. Porém, independentemente da aptidão atestada pelo médico, não é muito provável que um mergulhador com 1,72 m (5'9'' pés) e pesando 124 kg (275 libras) esteja fisicamente apto ao desafio de um mergulho em naufrágio no Cemitério do Atlântico.


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