DAN Medical Frequently Asked Questions

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Invertido no cabo de descida

Um mergulhador adaptado com um regulador com defeito quase se afoga após ficar invertido sob a água (2012, EUA)Dale nasceu com espinha bífida. Embora possa caminhar sem auxílio em terra, ele não possui coordenação motora fina que permitisse usar suas pernas sob a água. Sua esposa ofereceu um curso de mergulho como presente de Natal e ele se apaixonou pela atividade desde então. Como ele não usa as pernas sob a água, ele prefere não usar nadadeiras e manobra exclusivamente usando as mãos. Sob a água, durante algum tempo, ele esquece suas pernas e curte a liberdade ilimitada.

Alan é um mergulhador sem deficiência que estava na mesma viagem buscando relaxar e se divertir. Ele estava buscando sua certificação de mergulhador avançado; ele não era um rescue diver ou um instrutor de mergulho. Ele e seu dupla buscavam um mergulho tranquilo, bonito e sem sustos.

Numa manhã, os mergulhadores estavam a bordo, se preparando para os mergulhos. O mar estava calmo e a corrente era minima. Era um mergulho avançado num naufrágio entre 32 e 35 metros (105 a 115 pés) e a visibilidade estava boa. Dale e Alan, equipados, eram os primeiros prontos para entrar na água. A medida que Dale se puxava para o descer, ele percebeu que estava numa posição completamente invertida, além da sua capacidade para corrigir. Ele tentou se manter calmo mas percebeu que estava se debatendo para tentar voltar a posição correta.

O equipamento de Dale tinha 10 anos e seu regulador estava difícil de respirar. Na próxima respirada ele recebeu apenas água e isso se repetiu a cada respirada sucessiva. Ele buscou seu octopus e conseguiu mas, o ambiente se tornou escuro. Ele começou a descer em espiral em direção ao naufrágio, sem controle. Ele pensou consigo ‘vou morrer'.

Alan que estava atrás de Dale no cabo de descida, assistiu tudo acontecendo na sua frente. Ninguém, incluindo o dupla do Dale, parecia ter percebido que Dale esta com problemas. Alan nadou na direção de Dale tão rápido quanto pode, o alcançando a 6 metros de profundidade. O colete equilibrador estava completamente aberto e ele estava tentando alcançar seu ‘octopus'. Alan lutou com mergulhador que não cooperava, sem perceber que ambos continuavam afundando. Ele conseguiu puxar o lado direito de Dale para cima e empurrar o ‘octopus' contra sua boca. Atento para o fato que Dale estava com problemas com o fornecimento de ar, Alan se posicionou para verificar se a válvula no cilindro estava aberta.

Percebendo nesse momento que ambos continuavam descend, Alan adicionou ar ao colete de Dale usando o botão do ‘power inflator'. Quando Alan olhou para o rosto de Dale e viu que ele tinha os olhos vazios e a boca sem tônus. O regulador estava fora da boca. A 25 metros, Alan interrompeu a descida. Ele recolocou o regulador na boca de Dale e manteve o botão de purga pressionado, na esperança de conseguir forçar o ar para os pulmões. Sem alterações. Ele inflou rapidamente o colete do Dale e o seu próprio e o trouxe para superfície.

Na superfície a tripulação do barco percebeu imediatamente que havia algo errado. O ‘divemaster' entrou na água e nadou para ajudar no salvamento. Juntos, cortaram o equipamento do Dale e o levaram para bordo. O comandante e os tripulantes tiraram Dale da água e removeram a sua mascara. Havia sangue nela e Dale não respirava. O comandante do barco olhou para o Alan e disse, ‘Ele morreu.'

Alan se afastou horrorizado, subitamente ele percebeu que havia subido direta e rapidamente de 25 metros. Sem proferir uma palavra, ele voltou para a água para completer uma parada de segurança. Ele ficou segurando no cabo a 6 metros da superfície, ainda chocado com o que tinha acontecido e incapaz de processar sua participação.

Enquanto isso, o comandante do barco entrou em contato por rádio com a Guarda Costeira, enquanto o divemaster buscava abrir as vias aéreas de Dale. O navio da Guarda Costeira estava a apenas 10 minutos de distancia. No momento que o inflável da Guarda Costeira chegou no barco, Dale não estava apenas vivo, ele estava falando. Ele foi removido para o hospital mais próximo e disseram que ele tinha tido um espasmo de laringe que fechou suas vias aéreas, impedindo o alagamento dos pulmões e o afogamento.

Após o mergulho, Alan foi almoçar. Repentinamente, sua mão direita e seu pé direito começaram a formigar. Quando ele ficou de pé, ele sentiu tonturas e uma pressão estranha na cabeça. Ele foi levado para o mesmo hospital para onde o Dale havia sido levado e diagnosticado com mal descompressivo (MD) sendo tratado por 4 horas e 45 minutos numa câmera hiperbárica. Quando Alan teve alta, Dale estava esperando por ele. Ele ficaram olhando um para o outro durante algum tempo antes que Dale estendesse sua mão em gratidão e admiração ao homem que salvou a sua vida.

NOTA: Existe um número crescente de mergulhadores adaptados. Cada deficiência é acompanhada de um conjunto próprio de considerações. No caso de Dale, ele agora sabe que ele precisa de um regulador capaz de fornecer ar eficazmente em qualquer posição. Embora ele seja um mergulhador experiente, ele tem uma deficiência e ela traz suas limitações próprias.

Alan agora sabe que após qualquer subida de emergência ele deveria sair da água e respirar oxigênio sempre que possível.
Mergulhadores adaptados necessitam de duplas capacitados que estejam atentos às suas condições e treinados para ajudá-los. Existem algumas agencias de treinamento que oferecem esse tipo de treinamento.

Espinha bifida é um dos mais comuns dos defeitos congenitos, com uma incidencia mundial de 1 a cada 1.000 nascimentos. Ela consiste de um canal espinhal incompletamente fechado que deixa parte da medula espinhal com diferentes graus de exposição. Existem várias formas de apresentação desse quadro e a aptidão para o mergulho deve ser avaliada caso a caso.

Alan fez um grande esforço para salvar Dale e colocou em risco sua propria vida. Ele fez tudo corretamente, mas poderia ter trazido Dale diretamente para a superfície sem tentar recolocar o regulador na sua boca. Mesmo fazendo isso, os pulmões de Dale ainda assim não alagaram.
A Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS) publicou recomendações para socorrer um mergulhador inconsciente.

Se fosse o primeiro mergulho do dia de Alan, ele seria muito curto e dificilmente causaria MD. Poderia haver suspeita de Embolia Arterial Gasosa (EAG) numa subida de emergência como a que aconteceu, mas a demora na manifestação dos sintomas parecia excluir essa hipótese. Não é claro se os sintomas manifestados em Alan já estavam presentes e confirmados no momento de entrada no hospital ou se ele apenas foi tratado por ter relatado sintomas subjetivos que já haviam desaparecido. Embora o tratamento para MD nesses casos seja justificado, o diagnostico de MD não parece ser muito provável.
Se os sintomas não estivessem presentes no momento de entrada no hospital e os sintomas pós mergulho transitórios não tenham sido testemunhados, o registro do computador de mergulho poderia ajudar na atribuição dos sintomas.
— Petar J. Denoble, MD. D.S


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