Case Summaries

Vertigens depois do mergulho

Uma mulher que sente vertigens e náusea após dois mergulhos responde lentamente ao tratamento para doença descompressiva da orelha interna.

Caso relatado

Uma mergulhadora de 65 anos de idade retornou do seu segundo mergulho do dia; depois de 10 minutos, ela reportou sintomas de extrema tontura, vertigens e náusea/vômito. Um companheiro ligou para o atendimento de emergências da DAN e o médico aconselhou a mergulhadora que se sentia mal a fazer um exame neurológico de campo. A avaliação concluiu que ela se sentia incapaz de caminhar devido às vertigens e por sentir oscilações involuntárias no seu olho direito.

O seu perfil de mergulho foi o seguinte:
• Primeiro mergulho: 28,95 m (95 pés), 30 minutos, 35% EAN, intervalo de superfície de 1h10
• Segundo mergulho: 24,4 m (80 pés), 45 minutos, 34% EAN
• Todos os mergulhos contaram com paradas de segurança apropriadas e ela estava usando uma roupa úmida completa de 5 mm. As ondas em alto-mar eram de 0,6 a 1,2 m.

Ela não comeu nada e só bebeu água fresca depois que a tontura começou. A pessoa que telefonou disse que a mergulhadora apresentava problemas frequentes com a equalização e tinha um histórico de múltiplos casos de ruptura da membrana timpânica, mas não houve um relato explícito de problemas na subida ou na descida para aquele mergulho em particular. Não havia sintomas adicionais além da tontura e náusea/vômito.

A mergulhadora foi levada a um centro médico próximo, chegando aproximadamente 90 minutos após o início dos sintomas. Ela foi tratada com recompressão e oxigênio, seguidos por um Tratamento da Tabela 6 da Marinha dos EUA. Os sintomas ainda não haviam desaparecido depois de cinco horas na câmera hiperbárica.

Comentários

Vertigem é a sensação de que você ou os elementos à sua volta estão se movendo quando, na verdade, não há movimento. Você pode se sentir como se estivesse girando, rodopiando, caindo ou se inclinando. Vertigens persistentes e vômitos depois de voltar à superfície podem significar uma série de problemas envolvendo o cérebro e a orelha, tais como doença descompressiva da orelha interna, barotrauma ou acidente vascular cerebral.

O fato de o sintoma ter iniciado logo após o mergulho aumenta a probabilidade de que ele tenha sido causado pelo mergulho em si. A presença de nistagmo (as oscilações involuntárias dos olhos) geralmente aponta para algum tipo de disfunção vestibular. O fato de que tenha levado 10 minutos após a emersão para que as vertigens aparecessem aponta mais para uma DD do que para um barotrauma, embora o último também deva ser levado em consideração.

O órgão vestibular da orelha interna é a parte do sistema que controla o equilíbrio. Quando um órgão não funciona corretamente, sinais incorretos são enviados ao cérebro, causando vertigens. Em caso de vertigens pós-mergulho, uma disfunção vestibular poderia ser causada tanto por uma DD da orelha interna quanto por um barotrauma da orelha. A DD da orelha interna requer a terapia com oxigênio hiperbárico, ao passo que o barotrauma da orelha interna pode, na verdade, piorar com o tratamento sob pressão.

Tentamos acompanhar esta mergulhadora, mas não conseguimos obter respostas para nossas mensagens e telefonemas. Contatamos o hospital onde ela foi tratada, mas obtivemos apenas informações limitadas. Tudo indica que o médico que a tratava tenha excluído o barotrauma e tratado uma DD. A paciente recebeu um Tratamento da Tabela 6 da Marinha dos EUA, inicialmente sem a solução dos sintomas. Em seguida, ela recebeu dois tratamentos da Tabela 9 da Marinha dos EUA por três dias a mais, com alguma melhora.

Quatro dias depois do início dos sintomas, estes melhoraram, mas a paciente ainda reclamava de tonturas. Ela conseguia caminhar lentamente sem ajuda, mas não conseguia dirigir. No momento da alta, os sintomas residuais incluíam um olho ainda não completamente curado e uma redução na audição (ela estava usando um aparelho para a orelha antes do incidente). De acordo com o seu companheiro, um otorrinolaringolista liberou a paciente para o mergulho 90 dias depois do incidente, e ela fez entre 10 e 15 mergulhos desde então. Os sintomas residuais subjetivos incluem uma alteração na sua prescrição de lentes corretivas e uma redução na audição.

Uma recuperação longa indica que pode haver alguns danos permanentes à orelha interna. Ao longo do tempo, um paciente pode desenvolver uma compensação para um órgão danificado que trabalhe em situações cotidianas, mas sua aptidão para o mergulho pode estar comprometida. Assim, depois de um episódio de lesão à orelha interna em mergulho, o mergulhador deve se submeter a uma avaliação completa da orelha interna antes de voltar a mergulhar.

— Lana Sorrell, EMT, DMT